O verdadeiro terrorismo

O governo brasileiro se diz vítima de terrorismo eleitoral por conta de análises negativas sobre a economia brasileira. Observamos a performance das ações brasileiras contra pares emergentes para identificar se as críticas a política econômica da Sra. Dilma são pertinentes ou não.
Blog por Leandro Ruschel  

Na semana que passou, o PT e o comando da campanha da Sra. Dilma acusaram o setor financeiro de fazer "terrorismo eleitoral" com relatórios negativos sobre a economia brasileira e os desdobramentos de uma reeleição da presidente.

Se tem algo que eu aprendi nesse vários anos de mercado é que o dinheiro não tem ideologia. Ou seja, cada vez mais, por conta da integração dos mercados e da tecnologia, a poupança mundial vai atrás da melhor relação risco/retorno. 

De uma maneira geral, essa poupança busca regras claras, segurança institucional, crescimento, transparência e obviamente retorno. Quanto mais bem tratado é o investimento estrangeiro, mais investimento chega. Da mesma forma ele é muito arisco e corre no primeiro sinal de problemas. 

Uma das formas de identificar o trânsito de capital pelo mundo é através da variação dos índices de ações de cada país. Quando um país vai bem, as ações sobem e quando ele vai mal, as ações caem. Normalmente elas andam na frente dos acontecimentos, ou seja, se há uma perspectiva de melhora no ambiente econômico, o dinheiro "esperto" se antecipa a essas mudanças e vice-versa. Eventualmente há uma bolha, onde os preços dos ativos descolam da realidade, mas invariavelmente a realidade se impõe em algum momento.

Observando o comportamento das bolsas nos últimos anos podemos perceber o estrago causado pela gestão Dilma. Apresento um gráfico com as variações das bolsas dos Estados Unidos, China, Índia, Rússia e Brasil desde 2010, um ano antes da presidente tomar posse e iniciar o seu mandato. 



Nesse caso podemos ver que os índices dos BRICs andavam muito próximos em 2010 e começaram a se distanciar mais a partir de 2012. É bem verdade que desde então o mercado americano tem atraído mais investimentos, uma ressaca do grande fluxo para os emergentes na década anterior. Mas entre os BRICs, por que o Brasil teve de longe a pior performance, perdendo até mesmo para a Rússia, envolvida numa guerra e sofrendo sanções internacionais por isso?

Podemos especular que a principal razão é a gestão totalmente equivocada da política econômica, com intervenções cada vez maiores. Talvez a mais atrapalhada tenha ocorrido no setor elétrico, onde a falácia da diminuição da conta de luz produziu destruição de valor gigantesca nas empresas do setor e já custos aos cofres públicos bilhões de reais. A substituição de critérios técnicos por critérios políticos, que pode ser claramente observada na Petrobrás, onde o governo mudou um modelo vencedor por uma aventura perigosa, por conta do pré-sal, dando mais chances aos políticos de controlar orçamentos gigantes e produzir desvios igualmente gigantes. A piora das contas públicas, com o governo poupando menos e gastando mais. Investimentos mal feitos ou supérfluos, como a Copa do Mundo. Gastos de custeio cada vez maior, com alta dos salários de servidores muita acima da inflação e políticas de bem-estar social insustentáveis. Subsídios bilionários ao BNDES, para o banco poder emprestar aos amigos do rei e chegar ao cúmulo de emprestar o suado e limitado dinheiro brasileiro a ditaduras, como a cubana, taxando a operação de confidencial! Esse aumento indiscriminado do crédito é um dos combustíveis da inflação, que volta a assombrar os brasileiros. E para esconder todas essas lambanças, a utilização da contabilidade criativa, nome bonito para a simples mentira sobre as contas públicas. Isso sim é terrorismo!

A bolsa brasileira teve alguma recuperação em 2014, até as pedras sabem que o motivo por trás da alta foi o crescimento da oposição nas pesquisas, coisa que o governo não quer que o eleitor descubra. Mesmo com essa alta seguimos na laterna no ranking das bolsas mundiais e caminhamos para uma década perdida.

O maior acerto de Lula foi deixar de lado, pelo menos parcialmente, a velha retórica marxista do PT, o que em primeiro lugar possibilitou a sua chegada ao poder e a continuidade do crescimento brasileiro sustentado por reformas antecedentes bem feitas com o Plano Real. O maior erro da Dilma foi de uma certa forma retomar essas bandeiras ultrapassadas. E agora, a única alternativa para se manter no poder parece ser convencer a sociedade que toda crítica não passa de campanha eleitoral ou falta de patriotismo.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Opera no mercado há 15 anos com estratégias desenvolvidas a partir da análise técnica e de métodos quantitativos. É fundador da Escola de Traders Leandro & Stormer, que já treinou mais de 40 mil alunos nos últimos 10 anos. leandro@leandrostormer.com.br