Como contratar um seguro contra a queda das ações

Existem algumas operações em bolsa muito simples, efetivas e ao mesmo tempo desconhecidas do grande público de traders e investidores. Uma delas é a operação de compra de PUTS para proteção de uma posição em ações.
Blog por Leandro Ruschel  

Existem várias operações muito simples que estão disponíveis a qualquer trader mas que são pouco conhecidas do grande público. Uma delas é a compra de proteção através das opções de venda (PUTS), um derivativo negociado em bolsa que representa o direito de vender um ativo a um determinado preço até uma determinada data. Quem compra uma PUT tem o direito de vender o ativo alvo no preço do strike (valor de exercício da opção) a qualquer tempo. Já o vendedor de uma PUT tem a obrigação de comprar o ativo alvo no preço do strike caso a opção seja exercida.

Na Bolsa brasielira as opções de compra e de venda vencem na terceira segunda-feira de cada mês, sendo que o código de negociação das opções seguem o padrão de quatro letras, uma quinta letra que representa o mês de vencimento e um número que usualmente é o strike. Por exemplo, PETRS18 significa PETR = Petrobrás, S = opção de venda com vencimento julho e 18 = strike. Nesse caso é importante verificar se o strike é R$ 18,00 pois no caso de distribuição de dividendos, o preço do strike é ajustado. Nesse caso específico, o strike é R$ 17,16.

Ou seja, no pregão de hoje (24/06) posso comprar a PUT PETRS18 por R$ 0,41 e nesse caso ter o direito, a qualquer momento até o vencimento em 21/07 de vender a PETR4 por R$ 17,16. Caso o preço da PETR4 no vencimento seja superior a R$ 17,16, a opção perderá o seu valor, ou seja, virará pó no linguajar do mercado.

Veja abaixo a tabela completa de códigos de vencimento das opções para cada mês.

Você pode dar uma olhada no site da BM&FBovespa e encontrar as opções lançadas para todos os vencimentos: http://www.bmfbovespa.com.br/opcoes/opcoes.aspx?Idioma=pt-br .

Adianto que infelizmente no Brasil existe pouca liquidez para as opções de venda. Tirando Petrobrás, fica bastante difícil utilizar esse instrumento.

Tenho concentrado minhas operações nos últimos meses no mercado norte-americano, onde existe liquidez nas opções de venda para milhares de papéis. E aí fica fácil operar comprando uma proteção para as posições montadas. Sem contar que em muitos papéis há liquidez para vencimento de opções todas as sextas-feiras e também em vencimentos mais longos.

O conceito é muito simples: digamos que você queira operar o rompimento de uma resistência. Por exemplo, as ações da Weyerhaeuser (WY) romperam uma resistência em 31,60 com forte volume.

Ao invés de simplesmente fazer uma compra do papel a seco, posso fazer adicionalmente a compra de uma PUT a 30,00 com vencimento em 18 de julho, que custava 0,15 no mesmo momento que o papel estava a 32,26. Caso a operação fosse confirmada, eu estaria com uma proteção comprada. Mesmo que o papel abrisse no outro dia a 10,00, o meu prejuízo máximo seria o custo para montar a operação: 32,26 + 0,15 = 32,41, menos o strike da PUT igual a 30,00, ou seja, 2,41 por ação. O lucro possível é ilimitado.

Alguém poderia argumentar que a mesma “proteção” poderia ser atingida deixando um stop abaixo do último fundo em 30,50. Apesar de utilizar stops seja uma ótima prática, ela tem algumas limitações. Em primeiro lugar, no caso de movimentos rápidos de mercado ou fortes gaps, o stop não funcionará como proteção, pois você não conseguirá sair da forma planejada. Além disso, pode acontecer do mercado bater no stop, encerrar a operação e depois disso ocorrer o movimento esperado de alta: o famoso violino. No caso de ter comprado a PUT, você pode esperar até o vencimento para esperar que o mercado faça o movimento de alta imaginado inicialmente.

Claro que existem desvantagens, a compra da proteção aumenta o custo da operação. Além disso, o tempo corre contra a operação pois a cada dia que passa a opção perde um pouco do seu valor mesmo que o preço da ação fique estável. É o theta negativo, uma das derivadas da equação Black&Scholes.

Mesmo assim creio que vale a pena avaliar a montagem dessa estrutura, especialmente em momentos onde o mercado encontra-se sobre-comprado depois de longa alta e apresentando uma baixa volatilidade, o que deixa as opções relativamente baratas, diminuindo o custo da proteção. Esse o cenário atual nas bolsas ao redor do globo de uma forma geral.

Além disso, não podemos esquecer da possibilidade de utilizar as opções de venda como instrumentos de trade para operar na ponta vendedora. Se você acredita na queda de um ativo que tem opções de venda com liquidez, a compra de uma PUT é uma maneira simples e efetiva, com risco limitado, para apostar da queda.

Se você ainda não está familiarizado com as opções de venda, vale a pena estudar mais a fundo essa interessante ferramenta. A utilização em conjunto das opções de compra e de venda oferecem um rol gigantesco de estratégias possíveis. Mas não é demérito simplificar, fazendo apenas um seguro da sua posição com uma PUT como apresentado.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Opera no mercado há 15 anos com estratégias desenvolvidas a partir da análise técnica e de métodos quantitativos. É fundador da Escola de Traders Leandro & Stormer, que já treinou mais de 40 mil alunos nos últimos 10 anos. leandro@leandrostormer.com.br