Onde Encontramos Valor nos Mercados Internacionais?

O cenário internacional em 2016 já se mostra complicado e incerto para investidores e gestores igualmente. Como alocadores de longo prazo que somos, procuramos classes de ativos com maior potencial de retorno. E encontramos nos mercados acionários da Europa.
Blog por Olhar obliquo  

Encerramos um ano difícil. E os mercados internacionais já apontam para um 2016 complicado e incerto para investidores e gestores igualmente. Como alocadores de longo prazo que somos, o desafio é particularmente maior por conta das volatilidades e correlações dentro de uma carteira de ativos em janelas de prazo mais curtas.

Alocar percentual de um portfólio em moeda forte e em mercados descorrelacionados continua sendo estratégia saudável. Mas como faze-lo quando o medo de um ‘hard landing’ da economia chinesa (queda mais rápida do crescimento do PIB) destrói 20% do valor de mercado das empresa negociadas na bolsa local em menos de uma semana, causando efeito cascata no resto do mundo? No futuro próximo, os mercados internacionais continuarão sofrendo com a desaceleração da economia chinesa, é fato. O ano será de baixo crescimento e baixo retorno mudo afora.

Para onde olhar, então? Enquanto o Federal Reserve nos EUA parece ter saído da situação emergencial, as políticas monetárias na Europa e Japão, através da atuação de seus respectivos bancos centrais, darão suporte adicional ao crescimento regional. Serão bem sucedidos os investidores que conseguirem encontrar empresas com comprovada capacidade de crescimento orgânico, mesmo sabendo que suas ações negociam com prêmios para seus pares, em um mundo financeiro com forte tendência para fusões, aquisições e elevados dividendos.

As condições favorecem empresas européias. Como sub-classe, estão melhor precificadas do que as americanas, e consequentemente oferecem maior upside. E o quantitative easing (QE) por parte do Banco Central Europeu, aliado aos preços de energia mais baixos, fraqueza do Euro e afrouxamento das condições de crédito, melhoram o ambiente comercial para a região. Já observamos sinais de melhora nas diversas economias da Zona do Euro, e com isso os lucros internos no continente podem contribuir significativamente para a lucratividade geral.

Com clara exceção do setor financeiro, são diversas as empresas que têm balanços e fluxos de caixa sólidos, o que aponta para alta probabilidade de um ainda maior crescimento de dividendos, retorno de caixa e atratividade para operações de fusões e aquisições. Continuamos a favorecer mais especificamente as empresas com perspectivas de lucros robustos e poder de (re)precificação de sua linha de produtos. O aumento da volatilidade nos mercados acionários também criará boas oportunidades de investimento que gestores de fundos de alta convicção focados na Europa estarão bem posicionados para aproveitar.

OK. Está claro em que classe de ativos investir. Em seguida, é preciso encontrar o instrumento correto para replicar esta estratégia. Felizmente para o brasileiro, há fundos-espelho - na sua maioria para investidores qualificados e profissionais - que oferecem exatamente este tipo de exposição. E com as mudanças recentes por conta da resolução 555, é possível encontrar fundos multimercado com alta concentração na região. Gestores que trabalham com uma plataforma aberta, que oferecem fundos próprios assim como fundos de terceiros, são a melhor aposta, então, para quem procura diversificação e potencial de retorno.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Após 11 anos no exterior, Eduardo Levy voltou ao Brasil em 2013 e juntou-se à Rio Bravo Investimentos, onde é responsável pelas áreas de multi-assets e estratégias de diversificação. Começou a carreira na Price Waterhouse, e, após 13 anos na indústria financeira, 11 dos quais como operador sênior e diretor do portfólio de crédito internacional do CSFB Garantia, mudou-se para Los Angeles em 2002. Depois de completar o mestrado, consolidou sua experiência estruturando projetos de investimento nos setores financeiro e de varejo em mercados emergentes para empresas canadenses e americanas.   olharobliquo@riobravo.com.br