É hora de Investir no Exterior ou em Ativos Dolarizados?

O momento atual exige atenção redobrada com seus investimentos. Em meio à crise política, os fundamentos macroeconômicos continuam a deteriorar de forma rápida, e com eles mudam precificação e consequente alocação em ativos financeiros. O que fazer com o Dólar dos EUA (ou Euro, não esqueçamos) negociando em níveis aparentemente estratosféricos?
Blog por Olhar obliquo  

O momento atual exige atenção redobrada com seus investimentos. Em meio à crise política, os fundamentos macroeconômicos continuam a deteriorar de forma rápida, e com eles mudam precificação e consequente alocação em ativos financeiros. O que fazer com o Dólar dos EUA (ou Euro, não esqueçamos) negociando em níveis aparentemente estratosféricos?

Assunto principal deste espaço é investimento no exterior e em moedas fortes. Há meses venho tratando tal estratégia como parte integral de uma carteira diversificada e defesa obrigatória para investimentos de todos os tipos. Mas vamos todos concordar que mesmo os mais pessimistas não apostavam no Dólar acima de R$3,80 no começo de setembro. Isto fica claro quando abrimos os portfólios dos grandes fundos multimercado, virtualmente zerados em posições cambiais. O que fazer então? E talvez mais importante, quando fazer?

Há vários fatores que influenciam a cotação do Real. Seus detalhes são menos relevantes para a nossa discussão. Mas diariamente nós rodamos um modelo matemático relativamente simples que procura indicar se a cotação do Dólar está em linha com os fundamentos, e leva em consideração o CRB, índice de importantes commodities, o CDS (credit default swap) de 5 anos, contrato que precifica o risco Brasil de forma mais pura, e o DXY, este um índice que acompanha e mede o valor da moeda dos EUA contra uma cesta de outras moedas com relevância comercial. O modelo utiliza termos comparativos em uma escala de desvio-padrão (standard deviation) para apontar quando a moeda brasileira está sobrevalorizada ou demasiadamente desvalorizada. E hoje indica que desvalorizou demais, e que deveria - poderia é mais correto - se recuperar no curto prazo. E agora?

Aqueles investidores que vêm seguindo à risca a sugestão de alocação em moedas e/ou no exterior, originalmente um percentual próximo a 10% do total investido para perfis moderados, não somente tiveram um retorno excelente em 2015 (+45%), como na sua maioria protegeram quaisquer perdas em fundos de renda variável e títulos públicos com taxas pré-fixadas ou indexadas à inflação. Seguindo a regra de rebalanceamento periódico de carteiras, é necessária a diminuição da posição cambial nos níveis correntes, uma realização saudável de lucro que traria o percentual alocado à proposta original. É importante entender o rigor do processo, que também exige um aumento marginal em renda variável e títulos públicos.

E como fica o investidor que ainda não tem ativos dolarizados e/ou no exterior? É hora de colocar recursos em investimentos com alta correlação para o Dólar?

Sim, é verdade que defendo um portfólio diversificado. Sim, também é verdade que o cenário político tem efeito nas diversas classes de ativos e não parece mudar para melhor tão cedo. Sim, um investimento com baixa ou negativa correlação para os demais é saudável e prudente para um portfólio diversificado e é indicado exatamente em momentos como este. Mas não, não acredito ser este o ponto de entrada ideal.

Sei que parece uma opinião contraditória, que aposto mais em meu sentimento de mercado do que nos fundamentos. Me deixem explicar: acertar o timing de entrada não tem efeito histórico significativo para as mais diversas classes de ativos mundo afora. Mas a combinação da alta volatilidade cambial no Brasil em específicas janelas de tempo e taxas de juros faz desta uma exceção. Um passo em falso e podemos levar muitos anos para recuperar o valor investido. O investidor brasileiro pensa em Reais, o que é uma verdadeira evolução depois de 1994 quando o Plano Real trouxe maior estabilidade econômica e controle da inflação. Perder 5, 10, 15% nominais enquanto seu dinheiro poderia estar rendendo 14% ao ano não parece proposta fácil de engolir.

Para quem esperou até agora sugiro um pouco mais de paciência.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Após 11 anos no exterior, Eduardo Levy voltou ao Brasil em 2013 e juntou-se à Rio Bravo Investimentos, onde é responsável pelas áreas de multi-assets e estratégias de diversificação. Começou a carreira na Price Waterhouse, e, após 13 anos na indústria financeira, 11 dos quais como operador sênior e diretor do portfólio de crédito internacional do CSFB Garantia, mudou-se para Los Angeles em 2002. Depois de completar o mestrado, consolidou sua experiência estruturando projetos de investimento nos setores financeiro e de varejo em mercados emergentes para empresas canadenses e americanas.   olharobliquo@riobravo.com.br