Diversificação em 2015 - Follow-up

No primeiro post deste blog defendi a diversificação de portfólio como forma de proteção do patrimônio para o investidor. Com o encerramento do primeiro semestre, é hora de mostrar o valor que trouxe tal filosofia em um período de alta volatilidade e a importância de uma alocação em moedas e no exterior.
Blog por Olhar obliquo  

No primeiro post deste blog defendi a diversificação de portfólio como forma de proteção do patrimônio para o investidor. Com o encerramento do primeiro semestre, é hora de mostrar o valor que trouxe tal filosofia em um período de alta volatilidade.

Economia real demonstra fraqueza maior do que imaginávamos. A inflação de 2015 mostra força e persistência. O ajuste fiscal, mesmo indo na direção correta, deve continuar enfrentando grandes dificuldades. E o ruído político não para de aumentar. O Banco Central, então, consistentemente eleva as taxas de juros, enquanto o Real desvaloriza de forma significativa em relação ao dólar dos EUA.

Quando apresentados a quadro semelhante no passado, investidores dos mais diversos perfis não teriam dúvida em apontar para um cenário beirando o caos, de volatilidades crescentes e indicadores como Ibovespa e IFIX (fundos imobiliários) com quedas expressivas. O primeiro semestre de 2015 trouxe, porém, novo comportamento. Assim, é importante notar que os portfólios diversificados ofereceram retornos adequados e com riscos mais baixos do que inicialmente se previa.

No começo do ano trabalhávamos com um cenário de inflação em alta – mas abaixo da observada no momento -, pressão no câmbio e consequente alta de juros de curto prazo, ajuste fiscal com pequenas vitórias e economia real muito fraca. No cenário apontávamos ganhos marginais mas positivos nos títulos públicos pré-fixados e indexados à inflação, ganhos que se materializaram nos primeiros 6 meses do ano. Enquanto o CDI retornou 5,92% nominais ao investidor, o IMA-Geral trouxe 6,49%. A mão forte do BC afetou positivamente as expectativas na parte longa da curva de juros.

Investidores estrangeiros viram a bolsa brasileira como oportunidade de compra em dólares quando a moeda desvalorizou. O fluxo ajudou o índice a segurar de forma surpreendente, +6,14%, mas conseguimos observar o efeito nocivo da fraca economia no índice Small Cap - SMLL, que mede o retorno de uma carteira composta por empresas de menor capitalização, e que cedeu 6,83% no mesmo período.

Mesmo com o aumento da vacância de imóveis, os prêmios generosos em algumas sub-classes de fundos imobiliários e suas correlações com a curva de taxas de juros fizeram do IFIX aposta vencedora no semestre, com forte alta de 9,26%.

Para efeito demonstrativo, uma carteira teórica em que 25% dos recursos foram investidos em cesta de fundos imobiliários e os demais 75% em fundo diversificado que combina aplicações em IMA-Geral, crédito privado, fundos multimercados e de renda variável, rendeu aproximadamente 120% CDI, ganho expressivo acima do benchmark. [Lembro que cada carteira tem suas características específicas, e que performance passada não significa garantia de retorno futuro]

Mas como o primeiro semestre parece distante! O mês de julho traz crescente ruído político e um tiro muito sério no ajuste fiscal e consequente recuperação econômica com a revisão das metas de superávit fiscal. A curva de juros apresenta forte shift para cima, o Ibovespa devolve os ganhos de 2015, mas miraculosamente as carteiras diversificadas sofrem pouco, muito pouco. Isto, quando sofrem.

Não é milagre. A diversificação cambial forneceu a proteção necessária. A chave, aqui, foi encontrar esta exposição de várias formas e em classes de ativo distintas. Estes investimentos, então, funcionam como um mapa para o investidor que pretende colocar seu dinheiro para trabalhar, mas teme um deterioração contínua dos ativos financeiros.

A forma mais direta e simples de exposição veio de fundos cambiais, e qualquer banco oferece o tipo de investimento. Lembrando que deve-se entender bem os seus custos diretos (taxa adm.) e indiretos para que não corroam o retorno esperado. Também é importante entender que nosso custo de oportunidade, o CDI, é altíssimo quando se trata de uma posição de médio e longo prazos. Mas mesmo focando em uma carteira diversificada nas principais classes de ativos, conseguimos oferecer tal proteção.

Um número crescente de fundos de ações trabalha hoje com hedge cambial de suas carteiras. Outros especificamente investem em BDRs - Brazilian Depositary Receipts ou recibos de ações de companhias estrangeiras negociados no Brasil -, que combinam exposição à renda variável no exterior e exposição cambial. Outra opção cada vez mais presente são fundos de renda variável no exterior. Através da estrutura de ‘feeder fund’, gestoras locais conseguem oferecer estratégias vencedoras com carteiras globais ou regionais, sejam elas nos EUA, Europa ou Ásia.

Finalmente, e também como parte destes portfólios diversificados, investimos em fundos macro que depois de analisar o cenário macroeconômico brasileiro mantêm na sua grande maioria exposição cambial barateada pela utilização de derivativos.

Quando a cotação do Real sai de 3,18 para 3,40 em apenas 2 dias úteis, como aconteceu há pouco, é prudente continuar trabalhando câmbio e investimentos no exterior nos portfólios diversificados como melhor alternativa para o investidor moderado, em um segundo semestre de incertezas, mas com eventuais possibilidades interessantes de investimento.

O nível de exposição varia por perfil de risco e afinidade, mas é certo que a alocação no exterior e em moedas deixou de ser mais uma oportunidade de ganho para se tornar estratégia obrigatória para o investidor brasileiro.  

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Após 11 anos no exterior, Eduardo Levy voltou ao Brasil em 2013 e juntou-se à Rio Bravo Investimentos, onde é responsável pelas áreas de multi-assets e estratégias de diversificação. Começou a carreira na Price Waterhouse, e, após 13 anos na indústria financeira, 11 dos quais como operador sênior e diretor do portfólio de crédito internacional do CSFB Garantia, mudou-se para Los Angeles em 2002. Depois de completar o mestrado, consolidou sua experiência estruturando projetos de investimento nos setores financeiro e de varejo em mercados emergentes para empresas canadenses e americanas.   olharobliquo@riobravo.com.br