O Que Esperar dos Investimentos no Exterior?

Queremos entender o retorno esperado de investimentos diversos no exterior. A partir de trabalho realizado pela Research Affiliates, conseguimos tirar algumas conclusões.
Blog por Olhar obliquo  

Falamos sobre diversificação no exterior, sobre classes de ativos e complicados instrumentos financeiros, mas a pergunta para a qual o investidor mais ansiosamente espera resposta é simples: o que esperar de rentabilidade para meus investimentos de longo prazo no exterior?

A empresa Research Affiliates é uma referência na indústria financeira global. É líder em soluções e produtos para alocação de ativos, e seus especialistas periodicamente fazem o mapeamento dos mercados, publicando em seguida suas expectativas de retorno para os dez anos seguintes.

No gráfico acima, atualizado na virada do trimestre, observamos o retorno real esperado de classes agrupadas contra sua volatilidade esperada. É possível, então, entender valores relativos importantes para a tomada de decisão do investidor. Um retorno mais alto é justificado se o risco corrido também cresce? E para riscos semelhantes, deveríamos sempre escolher o investimento de maior retorno esperado? Aproveito a oportunidade para comentar sobre questões correntes e frequentes dos nossos clientes:

EM (local) Debt (dívida local países emergentes): No universo apresentado, a classe apresenta atrativo retorno para o risco (leia-se volatilidade) corrido. Se trata de uma cesta de investimentos em títulos locais soberanos de regiões diversas. Enquanto as taxas de juros são menores em países como Indonésia e Peru, os ganhos relativos com moeda são mais significativos, como fica evidente ao observarmos o retorno esperado para moedas emergentes (EM Currency). No Brasil, como sabemos, as taxas são muito mais altas, mas o retorno esperado por conta da relação Real/Dólar vai no sentido contrário, ao menos nos primeiros anos.

EM (non-local) Debt (dívida externa países emergentes):
A queda nas taxas de juros globais também reduziu os prêmios nos bonds soberanos em moeda forte de uma carteira diversificada. Se essas taxas não parecem tão atraentes, é relevante o fato de que os prêmios excedentes oferecidos por emissores corporativos adicionam carregamento de 3,00% a.a. em média. Como estes representam parte significativa do universo investido, a combinação de títulos privados e soberanos faz da classe proposta das mais interessantes no exterior.

EAFE Equity e US Large (renda variável): Importante discussão toma forma nos dias de hoje – ainda vale a pena investir em bolsa nos EUA, ou é hora de olhar para países desenvolvidos ex-EUA e Canadá? As projeções de retorno real são muito mais favoráveis para renda variável na Europa, Australasia e Oriente (EAFE) do que para os EUA (US Large Caps como referência). Ao abrirmos o racional de cálculo, notamos que não só de dividendos é composta esta rentabilidade. Enquanto a bolsa americana parece sobrevalorizada, espera-se um realinhamento positivo das ações das demais regiões.

EM Equity (renda variável países emergentes): Ainda a classe de ativos que apresenta a projeção de maiores retornos absolutos… para o investidor que tem maior apetite a risco. Aqui, também, é preciso separar os diversos mercados. Uma mudança na liquidez global afetaria diferentemente cada país, dependendo em grande parte dos seus cenários macroeconômicos locais e de fluxos financeiros internacionais.

LT US Treasuries: As taxas de juros de longo prazo nos EUA não são realmente alvo de diversificação para o investidor brasileiro nos níveis atuais, mas vale notar que elas subiram repentinamente nas últimas duas semanas seguindo os títulos europeus. O bund alemão de 10 anos saiu de 0,08% a.a. para 0,59% a.a. no período por conta de dados econômicos mais fortes e ruído na negociação com a Grécia.

REITs: Especificamente para os fundos imobiliários em mercados desenvolvidos é preciso separar o conceito do timing para investimento. A ideia de alocação na classe de ativos é sólida, mas o momento exige muita reflexão. A injeção de liquidez mundial e consequente queda de juros histórica fez dos REITs grandes vencedores ao longo dos últimos cinco anos. A projeção de retorno, então, é muito baixa nos próximos dez anos, para ativos com altíssima volatilidade. Assim como observamos no Brasil, há boas oportunidades, mas é preciso entender claramente quais são e com quem trabalhar.

Ao visitar o website da Research Affiliates (www.researchaffiliates.com) é possível entender os critérios utilizados para cada projeção e detalhes de sub-classes, países e ativos específicos. Também está disponível uma matriz de correlação, chave para uma diversificação bem feita. Afinal, a alocação de parte do portfólio no exterior é o mais próximo do chamado “free lunch” que o investidor brasileiro vai encontrar.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Após 11 anos no exterior, Eduardo Levy voltou ao Brasil em 2013 e juntou-se à Rio Bravo Investimentos, onde é responsável pelas áreas de multi-assets e estratégias de diversificação. Começou a carreira na Price Waterhouse, e, após 13 anos na indústria financeira, 11 dos quais como operador sênior e diretor do portfólio de crédito internacional do CSFB Garantia, mudou-se para Los Angeles em 2002. Depois de completar o mestrado, consolidou sua experiência estruturando projetos de investimento nos setores financeiro e de varejo em mercados emergentes para empresas canadenses e americanas.   olharobliquo@riobravo.com.br