Introdução: É Hora de Falar em Diversificação

Novo blog lida com o admirável mundo dos investimentos externos e comportamento financeiro. Aqui observamos como a segurança do CDI está longe de ser a melhor proteção para o brasileiro.
Blog por Olhar obliquo  

Confesso que atrasei propositalmente a publicação deste que é o primeiro post da série. Em um ambiente de deterioração de fundamentos e consequente depreciação da moeda, essas duas semanas adicionais me comprariam interesse dos que lucraram comprados em dólares e daqueles prontos para proteger seus recursos de alguma forma. Afinal, este espaço foca em diversificação no exterior e comportamento do investidor.

Mas agora me vejo em posição ingrata. Talvez devesse esperar para ganhar a confiança de vocês antes de escrever algumas verdades - minhas verdades, é verdade - mas respiro fundo e sigo em frente. O brasileiro é péssimo investidor. E não somente porque, ao longo dos últimos 12 meses de imensas e claras incertezas políticas e econômicas, enquanto o smart money apostava contra a moeda brasileira, o investidor individual médio simplesmente abandonou, negligenciou os fundos cambiais e suas variações oferecidas pela industria financeira do país.

Oh, boy! Começamos bem, não?

Proteção para o investidor brasileiro é fugir para o CDI. Não é justo comparar percentualmente a fuga dos fundos cambiais – crescimento de 2% nominais em 12 meses, que devem deduzir a valorização do ativo – com a entrada em instrumentos referenciados como LCIs e LCAs, +62% e +35%, respectivamente, no mesmo período, já que o estoque da primeira opção é 1% do total alocado nas últimas. Funciona, porém, como indicação do comportamento geral. Por que escrevo isso? No período até 13 de março último, o CDI acumulou 11,16%, enquanto o dólar comercial subiu 37,38%. E, sim, o brasileiro deixou o rendimento na mesa acreditando estar se protegendo da melhor forma.

Me deixem qualificar a afirmação acima: tal comportamento não é sua culpa exclusiva quando vivemos décadas de uma cultura de juros altos e inflação. É estranha a noção de diversificação e alocação de longo prazo como estratégias de proteção e performance, mas o argumento merece consideração quando observamos o dólar passar de R$3,00 R$3,10 R3,20 e índices de bolsa nos países desenvolvidos continuamente batem recordes de alta.

A realidade dos investimentos financeiros no país mudou significativamente nesses mais de 20 anos de Plano Real. Deixar seu dinheiro rodando a CDI não é a melhor opção de investimento desde a virada do século. Vimos janelas de oportunidade excelentes com a criação do mercado de fundos imobiliários, mesmo em renda variável através de fundos de ações livre, e nos últimos dez anos com exposição em moedas e nas diversas classes de ativos no infinito mercado internacional.

A evolução global dos instrumentos financeiros aos poucos vem permeando por aqui. Dos exchange-traded funds (ETFs) aos fundos diversificados, o desenvolvimento deste mercado moderno e mais eficiente permite a fácil alocação em ativos externos. As regras que vigoram a partir de julho deste ano flexibilizam a alocação, e é neste contexto que precisamos entender os riscos e retornos projetados.

Os juros não param de subir? A taxa Selic deve passar de 13% ao ano? Muitos de nós ainda lembram quando 20% eram vistos como uma vitória. AO MÊS. É passado. Entramos em uma admirável nova fase, o nascimento da indústria de diversificação de investimentos no Brasil para todos os participantes. Não há mais volta. O investidor individual precisa se familiarizar com suas opções e aprender a “operar” em tal ambiente. Este custo de oportunidade, sim, será alto demais.

Vejam que não tive a intenção de magoar o leitor. Espero que esteja claro agora. Vamos adiante e falemos sobre comportamento financeiro. O fascinante campo das finanças comportamentais cresce como poucos. Especificamente, os viéses que levam o investidor individual a cometer os mesmos erros frequentemente são explorados pelo smart money. E o investidor brasileiro, apesar de não estar sozinho, é muito imaturo na gestão do seu patrimônio.

Oh, boy... Melhor continuarmos em duas semanas.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Após 11 anos no exterior, Eduardo Levy voltou ao Brasil em 2013 e juntou-se à Rio Bravo Investimentos, onde é responsável pelas áreas de multi-assets e estratégias de diversificação. Começou a carreira na Price Waterhouse, e, após 13 anos na indústria financeira, 11 dos quais como operador sênior e diretor do portfólio de crédito internacional do CSFB Garantia, mudou-se para Los Angeles em 2002. Depois de completar o mestrado, consolidou sua experiência estruturando projetos de investimento nos setores financeiro e de varejo em mercados emergentes para empresas canadenses e americanas.   olharobliquo@riobravo.com.br