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Vale a pena comprar ações “na mira” da Polícia Federal?

Diante de nova investigação da PF sobre empresas negociadas em bolsa, deveríamos aproveitar "oportunidades" como esta?

Nesta última semana vimos algo que já nos parece comum nos noticiários: uma nova Operação da Polícia Federal. Esta, que ficou conhecida pelo nome de “Carne Fraca”, investiga a corrupção envolvendo frigoríficos, empresários e agentes públicos do setor agropecuário. Ao todo, são 21 frigoríficos envolvidos de cerca de 5 mil existentes no país. Mesmo com “apenas” um frigorífico envolvendo o nome da BRF, uma das maiores empresas do mundo no setor, o ativo foi bastante pressionado no mercado de ações nos últimos dois dias de negociação. Além dele, JBS e as ações do Minerva também recuaram forte. A perspectiva negativa neste momento não recai apenas pela imagem abalada das companhias mas sim pelas suspensões (ou perspectiva) de importação de carne, mesmo que temporária, por diversos países como Chile, China, Coreia do Sul e membros da União Europeia. Além disso, ainda poderemos ver outros países realizando movimentos neste mesmo sentido.

 Sendo este mais um motivo de preocupação aos investidores, a recorrência das operações da PF no país tem levado a uma série dúvidas se momentos como estes surgem como oportunidades, independente do prazo, ou se os investidores deveriam ficar de fora de ações que passam por turbulências relacionadas a fatos como estes. Além das ações de BRF, JBS e Minerva, vale lembrar que nos últimos meses algumas companhias ou executivos destas passaram pela mesma situação de serem investigadas por alguma razão e adicionaram forte volatilidade às suas ações nos dias subsequentes. Não precisamos ir muito longe, mas quem não se lembra de Petrobras e Braskem com seus nomes envolvidos na LavaJato ou Gerdau e Bradesco na Operação Zelotes ou até mesmo Qualicorp na Operação Acrônimo? Poderíamos até citar outros nomes, mas vamos ficar apenas nestes mais conhecidos.

 É verdade que cada caso é caso e sem dúvida boas oportunidades também podem surgir nestas ocasiões. Se por um lado alguns podem enxergar ser imoral, os especuladores ou investidores de longo prazo podem não corroborar com esta ideia. Sendo assim, o grande ponto de interrogação deste momento é: vale a pena comprar ações da BRF? E da JBS? Pensando do ponto de vista dos fundamentos das empresas, temos que levar em consideração qual o tamanho do estrago, que neste momento ainda pode ser um pouco subjetivo, afinal de contas como fica o risco de imagem da companhia perante os consumidores de carne? A carne será trocada pelo frango no prato dos brasileiros no curto prazo? A suspensão de importação por diversos países deve gerar um aumento na oferta dos produtos e com isso pressionar o preço da carne para baixo, mesmo que forma momentânea? Qual o gasto em publicidade está sendo utilizado para reaver a credibilidade da companhia? E as próprias suspensões de países antes compradores de carne, mesmo que sejam temporárias, trarão impacto negativo nos resultados das empresas? Enfim, neste caso e levando em consideração que BRF cotada a R$40,00 não era nenhuma “pechincha” no mercado de ações, agora a R$38 ou R$36 também não deverá ser. Neste momento vale ser mais racional e pensar em todos esses aspectos além dos desdobramentos que ainda poderão vir pela frente. No caso de JBS além de aspectos como estes, há ainda o nome dos controladores envolvidos em outras investigações. Diferentemente de BRF, o ativo não é considerado caro no mercado, mas nos últimos meses há sempre algum ponto de preocupação, mesmo com os resultados trimestrais apresentando certa consistência. 

 Já no caso de Bradesco, em meados de 2016, o nome do presidente do banco esteve envolvido em investigações, o que pressionou suas ações. No entanto, aparentemente não enxergávamos maiores danos a não ser além do risco de imagem e a possibilidade, mesmo que remota, da saída do presidente da instituição. Portanto, diante da forte queda das ações no dia, recomendávamos aos investidores a compra como uma oportunidade, o que realmente concretizou-se rapidamente. E Petrobras, o que diríamos de todo o movimento pós Operação LavaJato? Atualmente pode nos parecer fácil comentar, mas a empresa desde a destituição da antiga diretoria e da atuação da gestão de Pedro Parente vem buscando resgatar a credibilidade e estar mais próximo das práticas de mercado como o reajuste mensal de combustíveis. Por razões como estas que as ações da estatal estão na carteira recomendada mensal da Rico desde junho de 2016, quando sua cotação girava em torno de R$9, e deverão permanecer por mais algum período.

Enfim, de todas as empresas envolvidas em operações da Polícia Federal ou dos controladores destas, o que vale levar em consideração é o momento de cada uma, as perspectivas e analisar se a conjuntura a partir de então será favorável ou se momentos ruins ainda deverão proporcionar dias amargos aos investidores detentores destas ações.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Protesto no Brasil - Bloomberg
(Gregg Newton)

perfil do autor

Roberto Indech

Analista chefe de investimentos da Corretora Rico/ CNPI - EM1426. Graduado em Relações Internacionais pela FAAP e certificado pelo Programa de Qualificação Profissional (PQO).

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