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Para onde vai o dólar?

Nem as intervenções no câmbio prometidas pelo BC foram suficientes para conter o dólar. A moeda americana segue seu caminho (esperado) de alta forte contra as moedas emergentes e o real não consegue se livrar dessa. No início de janeiro, eu até concedi uma entrevista ao Grant´s (grants) brincando que o dólar a R$3,16 (valor na época) era Deus dando uma chance aos brasileiros de tirar o dinheiro daqui.

bolsa de Nova York - gráfico - EUA - trader - crise econômica
(REUTERS/Brendan McDermid)

Nem as intervenções no câmbio prometidas pelo BC foram suficientes para conter o dólar. A moeda americana segue seu caminho (esperado) de alta forte contra as moedas emergentes e o real não consegue se livrar dessa.

No começo do ano, relacionamos os potenciais riscos para a moeda brasileira. Para citar algumas, havia a iminente paralisação política e a impossibilidade de aprovação da reforma da previdência. Além disso, o governo registrou mais um déficit orçamentário, sem perspectivas para reequilíbrio da dívida. Não podemos nos esquecer das eleições presidenciais de outubro e, muito menos, do fato dos Estados Unidos estarem subindo sua taxa de juros, após anos de inércia, ao mesmo tempo em que a SELIC renova mínimas históricas. Não à toa, recomendei aos investidores que buscassem proteção, de preferência no ouro.

No início de janeiro, eu até concedi uma entrevista ao Grant´s (grants) brincando que o dólar a R$3,16 (valor na época) era Deus dando uma chance aos brasileiros de tirar o dinheiro daqui.

Hoje, após várias intervenções no câmbio, o dólar já passou de R$3,65, maior cotação desde 2016. Não gosto de fazer previsões, especialmente sobre o câmbio, mas um ponto é importante: no começo do ano, quando o dólar estava “barato” e havia vários riscos à vista, realmente era uma oportunidade. 

Vale sempre lembrar o caso (ímpar, por sinal) da Venezuela. Há pouco mais de 4 anos, 1 dólar equivalia a 8 bolívares. Hoje, o dólar vale mais que 70.000 bolívares. Imagina um venezuelano que quisesse efetuar uma remessa de recursos para fora quando a cotação atingiu 100. Se ele tivesse feito, teria preservado seu poder de compra. Caso tenha optado por esperar o câmbio voltar aos 8, viu seu dinheiro virar pó.

Vimos recentemente também o exemplo da Argentina, que era a queridinha do mercado. No ano passado, emitiu títulos de dívida com vencimento em 100 anos e que tiveram uma demanda muito maior que a oferta, pagando apenas 8% a.a. Agora, em 2018, o peso derreteu, as taxas de juros dispararam e o governo teve que recorrer ao FMI e vulture funds.

Apesar de não acreditar que algo de tamanha magnitude venha a ocorrer no Brasil, é importante ter em mente o estrago que um governo ruim pode fazer na economia e no patrimônio dos cidadãos. Aliás, somos brasileiros e sabemos muito bem disso.

Ter parte dos recursos em dólar não é só questão de segurança, é também rentabilidade. Fora do país é possível ter acesso a uma miríade de investimentos diferentes, que entregam uma excelente rentabilidade e permitem exposição a mercados e produtos com os quais muitos nem sonham. Isso, seu banco, mesmo que private, não vai te contar.

Vejamos, por exemplo, o investimento em urânio, que acredito ser um dos melhores em termos de risco x retorno para os próximos anos, ou até mesmo o ouro. Praticamente não há como um brasileiro com recursos no Brasil investir em ouro. Em urânio então, nem pensar...

Onde o dólar vai parar é uma pergunta para a qual não tenho resposta, mas continuo sugerindo a todos que tenham uma real diversificação de seu portfólio. E não há como falar de uma real diversificação se tivermos nossas propriedades, aplicações financeiras e fontes de renda todas num único país, numa única moeda. Estamos no século XXI e não é preciso viajar para os EUA, ou qualquer outro lugar, para abrir uma conta. Hoje fazemos isso sentados confortavelmente no nosso sofá. Não há desculpas.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

perfil do autor

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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