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Carteira administrada e fundo exclusivo: saiba como investem milionários e empresas

Fundos e carteiras exclusivas são os veículos ideais de investimento para quem tem um patrimônio de alguns milhões de reais porque conjugam gestão profissional, acesso aos melhores produtos do mercado, vantagens tributárias e facilidade no acompanhamento dos resultados

jogador de golfe - investimento de longo prazo
(Brian Snyder/Reuters)

(SÃO PAULO) – Boa parte dos brasileiros com até R$ 500.000 ou até R$ 1.000.000 para investir já entendeu que para conseguir uma alta rentabilidade com baixo risco basta montar uma carteira de CDB, LCI e LCA pulverizando o dinheiro entre diferentes bancos médios. O risco desse tipo de carteira pode ser dirimido respeitando o limite do Fundo Garantidor de Crédito, que cobre o prejuízo de cada investidor até o limite de R$ 250.000 por banco em caso de quebra de uma instituição financeira. Mas como empresas e investidores com muitos milhões no bolso podem montar uma carteira com alta rentabilidade sem abrir mão de segurança? Basicamente há dois veículos de investimento que oferecem um pacote de vantagens a esse tipo de investidor: a carteira administrada e o fundo exclusivo. A seguir explico como funciona cada um.

Carteiras administradas

O investidor delega a um profissional a definição das aplicações financeiras que serão incluídas na carteira. Primeiro cliente e gestor definem a política de investimentos. Esse documento vai estabelecer qual será o risco das aplicações da carteira e as necessidades de liquidez do investidor. O cliente diz, por exemplo, que gostaria de ter ao menos 30% do dinheiro com liquidez diária, que só quer incluir na carteira produtos de baixo risco e que gostaria de concentrar todo o dinheiro em renda fixa. Definido isso, o cliente formaliza que está de acordo com essa política por meio um documento assinado. Aí o gestor vai buscar produtos que se encaixem nessa política de investimentos. Não será necessário consultar o cliente cada vez que o gestor quiser incluir um produto novo na carteira. Por um lado, o gestor terá agilidade para aproveitar oportunidades de ocasião. Mas é necessário que haja uma relação de confiança. Da mesma forma que o gestor de um fundo de investimentos não pergunta a todos os cotistas se eles concordam em comprar determinado ativo antes de comprá-lo, também o gestor de carteira terá essa liberdade. O cliente poderá mudar a política de risco sempre que quiser – basta combinar com o gestor dos recursos.

Além da gestão profissional, outra grande vantagem de investir por meio de uma carteira administrada é ganhar acesso a produtos que só estão disponíveis para investidores institucionais. Um exemplo são as letras financeiras, que raramente aparecem nas prateleiras de produtos para pessoas físicas. Letras financeiras funcionam basicamente como os CDB: são papéis de renda fixa emitidos por bancos sem isenção de IR. Uma importante diferença é que o investidor não tem a opção de regatar seu dinheiro antes do vencimento do papel (apesar disso, esse título tem negociação no mercado secundário, o que pode funcionar como uma porta de saída). Outra diferença é que a letra financeira não tem a cobertura do FGC. Então só é recomendável comprar letras financeiras de bancos de primeira linha.

Como as instituições financeiras às vezes precisam de financiamento de longo prazo, no entanto, muitas vezes é possível comprar letra financeira de banco grande com taxas parecidas às pagas por CDB de banco médio. Recentemente gestores incluíram nas carteiras de clientes papéis como letras financeiras do Bradesco com retorno de 112% do CDI, investimento mínimo de R$ 1.000.000 e vencimento em 2022 ou letras do Banco Votorantim com retorno de 116% do CDI, aplicação mínima de R$ 300.000 e vencimento em 2021 (esses são apenas exemplos ilustrativos, dado que as taxas variam o tempo todo). Outros exemplos de produtos que ficam mais acessíveis são DPGE e debêntures incentivadas. No caso das debêntures, na hora de vendê-las no mercado secundário antes do vencimento, o gestor também tende a ter mais facilidade para se desfazer do papel com um menor deságio. Outra vantagem desse maior acesso a produtos ocorre no caso de ofertas restritas de títulos de renda fixa como CRA, CRI e FIDC. Os melhores papéis provavelmente serão oferecidos a gestores de carteiras, mas dificilmente chegarão às pessoas físicas em geral.

Todos os ativos vão permanecer em nome do cliente, que não perderá a isenção do Imposto de Renda para produtos como LCA, LCI e debêntures incentivadas, que só não são tributados quando comprados por pessoas físicas.

Outro fator interessante é a transparência. Muitos gestores entregarão aos clientes um relatório mensal com as aplicações incluídas na carteira, o desempenho de cada investimento, o valor das cotas, as movimentações do mês, a liquidez da carteira, etc. Será muito fácil acompanhar o desempenho da carteira. Isso tudo é muito importante principalmente para pessoas jurídicas, já que fica fácil para toda a diretoria ver se o caixa da empresa está sendo gerido dentro das regras estabelecidas e com a governança e o nível de risco esperados. É por isso que muitas empresas entregam a gestão de seu caixa a um gestor profissional.

Em troca de seus serviços, o gestor da carteira cobrará uma taxa que corresponde a um percentual dos recursos sob gestão. Esse percentual varia de acordo com o montante gerido (quanto mais dinheiro, menor é o percentual) e de acordo com o risco da carteira (quanto menos risco, menor é o percentual). Como o cliente terá a acesso a produtos que não estariam disponíveis para pessoas físicas, a ideia é que esse acesso a melhores oportunidades seja suficiente para ao menos compensar o custo da taxa de administração.

A gestão de carteiras é um serviço geralmente destinado a empresas e pessoas com caixa ou patrimônio superior a R$ 3 milhões. No caso de patrimônios inferiores, o gestor não consegue montar um portfólio diversificado (o escopo de trabalho do gestor é reduzido, a taxa mínima de gestão pode onerar demais o rendimento do portfólio, etc). Se você tem esse perfil e ficou interessado em investir por meio de uma carteira administrada, mas ainda tem dúvidas sobre como operacionalizar isso, mande um e-mail para joao.sandrini@infomoney.com.br que eu ajudo a sanar suas dúvidas.

Fundos exclusivos

Os fundos exclusivos oferecem a mesma gestão profissional das carteiras administradas e acesso a ainda mais produtos inacessíveis a pessoas físicas. Bons gestores de fundos exclusivos eventualmente podem conseguir investir até em cotas de fundos fechados e que possuem a reputação de estarem entre os melhores do Brasil. Isso porque os gestores desses fundos ficam sabendo quando eles vão ser abertos ou conhecem gente que quer sair, colocando outro investidor no lugar. Também é possível estruturar produtos de previdência exclusivos, como PGBL e VGBL. Isso pode ser bem interessante porque a maioria dos PGBL e VGBL oferecidos a pessoas físicas possuem taxas elevadas que comem boa parte da rentabilidade.

Os fundos exclusivos também garantem benefícios no que diz respeito a planejamento tributário, sucessório e patrimonial. O investidor pode pagar o Imposto de Renda somente no resgate do dinheiro do fundo – mas não paga quando troca um investimento por outro. Também é possível fazer uma compensação tributária entre ativos – por exemplo, perdas com ações podem ser usadas para abater o IR de ganhos com renda fixa. Mesmo do come-cotas é possível fugir. Fundos exclusivos estão sujeitos ao come-cotas (aquela antecipação do IR sobre os rendimentos cobrada nos meses de maio e novembro) somente quando estiverem abertos para aplicações e resgates. Então geralmente a recomendação dada por especialistas é fazer o aporte e fechar o fundo para evitar o come-cotas. Haverá restrições para aplicações e resgates, mas para investimentos com horizonte de longo prazo isso não tende a ser um problema.

Os fundos exclusivos também podem ser usados para planejamento sucessório. Um milionário pode doar cotas em vida a seus herdeiros. A doação pode ser com reserva de usufruto político e econômico – ou seja, o doador mantém o controle sobre as decisões de investimento e o usufruto dos rendimentos do fundo. O herdeiro só passa a ter poder de decisão após o falecimento do doador. No momento em que é realizada a doação das cotas é preciso pagar o ITCMD (o imposto estadual sobre transmissão de heranças e doações). Mas ao antecipar o pagamento do imposto é possível escapar de um possível aumento da alíquota de ITCMD no futuro. Em 2016, a alíquota de ITCMD subiu em 11 Estados e no Distrito Federal. Com a queda da arrecadação, muitos especialistas temem que o ITCMD continue subindo na maior parte do Brasil como forma de os governos estaduais fazerem caixa. Fazer a doação agora, portanto, resolveria a questão sucessória com uma alíquota de imposto ainda baixa considerando os padrões internacionais.

Já o FGC é uma desvantagem do fundo exclusivo. Desde o final de fevereiro, se um fundo exclusivo tiver comprado CDB de um banco e essa instituição quebrar, o investidor não tem mais a proteção até R$ 250.000 por banco. Outro problema é que o investidor perde a isenção de IR para LCA, LCI e debêntures de infraestrutura quando investe por meio de um fundo exclusivo porque ele possui um CNPJ – esses ativos só são isentos para pessoas físicas. Então se quiser investir em ativos como LCI e LCA com isenção e com a cobertura do FGC, o investidor terá de deixar essas aplicações fora do fundo.

Possuir um fundo exclusivo em seu nome vai gerar ao investidor despesas com o gestor do dinheiro, o administrador do fundo (calcula cotas, etc.), o custodiante dos ativos, a empresa de auditoria, o registro na CVM e Anbima, etc. Os custos variam de acordo com o tamanho do patrimônio, o tipo de fundo e o mandato da carteira. É por isso que o fundo exclusivo é uma estrutura que só costuma ser indicada a quem tem patrimônio para investir de ao menos R$ 10.000.000. Para valores acima desse patamar, o custo pode ser mais do que compensado apenas pelo diferimento do pagamento do IR. Se você tem esse perfil e ficou interessado em ter seu fundo exclusivo, mas ainda tem dúvidas sobre como operacionalizar isso, mande um e-mail para joao.sandrini@infomoney.com.br que eu ajudo a sanar suas dúvidas.

perfil do autor

João Sandrini

É Diretor do InfoMoney. Atua como planejador financeiro com CFP® (certified financial planner), analista de ações com CNPI (certificado nacional do profissional de investimento) e membro da Comissão de Educação ao Investidor da Anbima. Possui 18 anos de experiência em mercado financeiro como jornalista, professor e assessor na montagem de carteiras de investimento. Graduou-se em Jornalismo pela ECA-USP e concluiu dois MBAs em Finanças pela FIA.

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