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Chutei o balde.

Em algum momento da vida as pessoas param para se perguntar se estão seguindo o caminho que realmente gostariam de trilhar e nem sempre a resposta é positiva.

A expressão inglesa “to kick the bucket”, em tradução livre para o português, “chutar o balde”, é utilizado pelos americanos como um eufemismo para a morte e embora não tenha registros, tudo indica que vem do suicídio por enforcamento, em que a pessoa sobe em um balde para alcançar a corda presa ao teto e, para concluir o ato, chuta o balde.

Em português a expressão ganhou um significado mais ameno, como o encerramento de uma etapa, um basta. Chutar o balde é parar tudo o que está fazendo e recomeçar de outra forma, seguindo outro caminho. Para isso é preciso de uma boa dose de coragem, mas acima de tudo, reflexão e autocrítica.

Sem encontrar um sentido para o que eu estava vivendo, mesmo com a carreira profissional em ascensão, decidi retornar ao Brasil para um período sabático. Cheguei à conclusão que dar aulas era o que eu gostaria de fazer para o resto da minha vida, ainda que o salário fosse insuficiente para o padrão de vida que eu tinha. Foi muito difícil aceitar os novos hábitos, mas a sensação de chutar o balde, no entanto, me trouxe alívio e um sentimento de liberdade e felicidade.

Outras pessoas também passaram por isso e abriram os seus corações.

O Renato chutou o balde aos 18 anos, aos 25 e com quase 50 anos de idade. Largou a faculdade de medicina para trabalhar com finanças, deixou um banco para assumir uma empresa nacional de grande porte e infeliz e com mal estar, largou tudo mais uma vez. Afirma que a situação financeira piorou, mas está vivendo bem.

Aos 20, Eduardo estudava em uma universidade de renome e trabalhava na área com boa remuneração, mas sentia que não estava construindo o seu sonho. Hoje divide o seu tempo como empresário em uma loja gourmet de utensílios para cozinha, que tem crescido em velocidade acima do esperado e uma fábrica de artigos de madeira. O que ele deixou de crescer financeiramente nos últimos anos foi inversamente proporcional à qualidade de vida que tem tido.

Ariela trocou a nutrição pela administração com 23 anos. Aos 30 mudou de área no trabalho, encerrou um casamento, foi viajar e aprendeu a morar sozinha. No final de 2016 resolveu pedir demissão e chutar o balde de novo. Vai passar um período na Austrália, com a certeza de que viver intensamente é a coisa certa.

Trabalhar muitas horas do dia e se dedicar a trabalhos voluntários em um cursinho social fez com que Gabriela, aos 23 anos tivesse um despertar para o seu sonho: a academia. Abandonou tudo quando foi aprovada no programa de mestrado e já pensava no doutorado. É o caminho da realização profissional.

A sensação de liberdade é descrita como inesquecível pela Rebeca que deixou o Brasil em 2015, com 23 anos. Teve medo no começo e assume que deveria ter tido coragem mais cedo. Família e amigos mais próximos deram o suporte para essa decisão maluca, mas que ela considera maravilhosa e doce. O futuro é incerto e se sente preparada para recomeçar caso o caminho escolhido, mais uma vez, não seja o ideal.

Os programas de trainee das empresas que Jones gostaria de trabalhar exigiam o inglês e dada a sua dificuldade em aprender a língua, decidiu ir para o Canadá usando absolutamente todos os recursos acumulados em 8 anos de trabalho. Conheceu muita gente, aprendeu a “calçar o chinelinho da humildade” e foi trabalhar em posição menos glamourosa até ser recompensado. Deu certo!

O Erick tem hoje 24 anos e no passado largou tudo para estagiar na Alemanha. Ali conheceu uma pessoa que o indicou para um trabalho no Brasil. Não satisfeito com os resultados aferidos, optou por fazer mais uma pausa e traçar novos planos. Está pensando em empreender.

Em função de um cenário econômico pouco promissor, a Dalila aos 30 anos e seu marido se mudaram para o Japão. Trabalha hoje em uma fábrica e seus rendimentos permitem que se planeje para os próximos 5 anos: fazer um MBA, viajar e poupar o suficiente para uma aposentadoria com qualidade.

Aos 33 anos, a Suelen tem mais tempo para se dedicar ao filho e à saúde depois de ter deixado o mercado corporativo que, para ela, não fazia sentido e não oferecia perspectivas de ascensão profissional. Perder o hábito de sonhar estava lhe aprisionando na infelicidade. Hoje trabalha com consultoria, sem horário fixo, o que lhe rendeu liberdade, de acordo com ela, a moeda mais valiosa.

Como nunca é tarde para recomeçar, próximo dos 40 anos o Ary optou por iniciar um negócio próprio. De acordo com ele, foi a solução ideal para evitar o stress e as doenças que começaram a surgir.

É possível concluir, mediante todas essas histórias, que chutar o balde dá medo, diminui as receitas financeiras, mas traz sensação de liberdade, desprendimento, realização e felicidade.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Liberdade
(Shutterstock)

perfil do autor

Silvia Alambert

Silvia Alambert é fundadora e CEO da The Money Camp® no Brasil. Educadora financeira de crianças e jovens, é certificada e licenciada pela Creative Wealth® Intl (USA) e coordenadora do projeto de educação financeira para crianças e jovens em situação de vulnerabilidade sócio-econômica pelo ITESA (Instituto de Tecnologia Social Aplicada).

Eli Borochovicius

é professor da The Money Camp® na região metropolitana de Campinas e professor de finanças e gestor de orçamento da PUC-Campinas. Trabalhou por mais de 15 anos em empresas financeiras no Brasil e foi diretor financeiro no exterior. É mestre em educação pela PUC-Campinas, possui MBA Executivo Internacional pela FGV, MBA em empreendedorismo pela Babson College/US, pós-graduado em política e estratégia pela USP e formado em Comércio Exterior e Diplomado pela ADESG/SP.

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