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Os clubes de futebol poderiam ajudar a popularizar a Bovespa?

Abertura de capital dos times ajudaria a Bovespa a ficar mais próximia da meta de 5 milhões de investidores

Torcedor_Corinthians
(Divulgação)

SÃO PAULO - A BM&FBovespa tinha um objetivo declarado de obter 5 milhões de investidores pessoas físicas até 2014, uma meta bastante agressiva. A apenas um ano do fim do prazo, a operadora brasileira vê o número de cadastrados girar entre 500 mil e 600 mil pessoas, praticamente um décimo do desejado - tornando a meta praticamente impossível de ser batida. 

A forma mais rápida de chegar lá talvez seja por meio da abertura de capital de ícones brasileiros, como times de futebol. O Corinthians, um dos times de maior torcida do País, já sinalizou ter planos de realizar um IPO (Initial Public Offering) um dia. É uma legião de 30 milhões de torcedores. Se 1% resolver fazer parte da oferta pública - que pode ser anunciada na TV, rádio, ou qualquer mídia - seriam 300 mil pessoas a mais na bolsa. Conhecida pelo seu fanatismo, é muito provável que os torcedores realmente se empolguem com essa ideia. 

Mas o Corinthians não é o único. O repórter que vos escreve, no momento, tem certeza que participaria de uma oferta de seu clube de coração - o Atlético Mineiro - com toda a quantia disponível. E conforme Waldemar Pires, ex-presidente do Corinthians e dono da Walpires Corretora, já falou em entrevista ao InfoMoney: há muitos torcedores que adorariam ter um pedaço de seu clube. Além do fortalecimento e profissionalização do futebol brasileiro e da gestão dos clubes, esse tipo de investimento poderia, em alguns casos, gerar lucro. 

É uma chance, também, de que os clubes consigam se livrar do alto endividamento - que corrói o patrimônio de muitos dos grandes times nacionais. É o caso do Flamengo, que diz ter a maior torcida do País, mas precisa arcar com uma dívida de mais de R$ 750 milhões. Os seus 30 milhões de torcedores também poderiam embarcar nesse tipo de oferta e ajudar a popularizar a bolsa nacional. Além de resgatar o Rubro-Negro carioca do mar de dívidas que ele se encontra atualmente. 

A capitalização também serviria para inúmeras outras coisas: montar plantéis melhores, construir estádios. E colocar um pedaço do clube nas mãos de cada torcedor, usualmente os mais interessados no crescimento e fortalecimento de sua agremiação de coração. Seria uma evolução dos programas de Sócio-Torcedor, já abraçados por diversos clubes do futebol nacional. 

Uma oferta dessas já foi tentada no Brasil. Foi o Coritiba, que em 2003 queria ofertar cerca de R$ 51 milhões. A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) barrou o negócio, alegando que o clube não tinha garantias. Cruzeiro e Internacional também já cogitaram a ideia, que é comum na Europa - alguns dos grandes times, como o campeão inglês Manchester United e a campeã italiana Juventus possuem capital aberto, assim como o Borussia Dortmund, finalista da Champions League. 

É uma ideia que, com certeza, deveria ser avaliada com mais carinho pelos clubes de futebol, principalmente aqueles com grandes torcidas. A Bovespa é um excelente instrumento de capitalização que é subutilizado e, com a sua popularização, o Brasil, os investidores e os clubes de futebol só teriam a ganhar. O problema é que, para que seja considerada um bom negócio e gere lucros aos investidores, uma ação precisa corresponder a uma fração de uma empresa com lucros crescentes. Será que existe algum clube no Brasil com essa característica?

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