Os riscos por trás das pirâmides financeiras

Anda-se falando muito em pirâmides financeiras. Mas você sabe do que se trata? Veja algumas orientações para que não caia em uma armadilha em busca de dinheiro fácil.
Blog por Reinaldo Domingos  

Um assunto que vem tomando conta dos noticiários nos últimos dias são as famosas e perigosas pirâmides financeiras. De tempo em tempo, vejo esse tema voltar à tona, sempre alimentado pela ilusão de parte da população de que poderá ganhar dinheiro fácil.

E, nesse ponto, eu sempre repito: “tudo o que vem fácil, vai fácil”. Assim, cabe às pessoas pensarem cinco vezes antes de entrar em qualquer tipo de negócio, avaliando os riscos, as rentabilidades e, principalmente, se o retorno vai ao encontro com os sonhos e objetivos. Lembrando que todo investimento tem riscos e quanto maior o risco, maior o retorno. Se aparece algo com promessa de altíssimo retorno e baixíssimo risco, desconfie na hora, pois é isso que oferecem as pirâmides. 

Na verdade, esse é um modelo comercial que não sustenta e oferece danos aos participantes, se caracterizando assim como fraude. Esse modelo, muitas vezes, é maquiado como sendo um sistema de "marketing multinível", mas essa não é a verdade. O esquema envolve a troca de valores pelo recrutamento de outras pessoas para pirâmides ou, por exemplo, por postagens diárias de anúncios publicitários no Facebook, sem qualquer produto ou serviço ser entregue.

Exemplos recentes de empresas que estão sendo investigadas com suspeita de desenvolverem esses sistemas não faltam, sendo as mais famosas, no momento, a Telexfree, BBom, Cidiz, Nnex, Priples e Multiclick.

Pirâmide financeira é crime contra a economia popular, afinal, propõe a oferta de ganhos altos e rápidos, o pagamento de comissões excessivas, acima das receitas advindas de vendas de bens reais e a não sustentabilidade do modelo de negócio desenvolvido pela organização.

O primeiro problema em relação a esse tema é a própria existência dessas empresas. Deveria haver uma fiscalização séria por parte do governo em relação aos negócios que se abrem, evitando os que se aproveitam para tentar angariar dinheiro fácil. Falta uma ação preventiva, que não permita a abertura de empresas deficitárias. 

Porém, existe outro problema, que é comportamental. Infelizmente, pela falta de educação financeira, as pessoas querem ganhar dinheiro para gastar desordenadamente. Existe todo um processo para se conquistar dinheiro e também de administrá-lo. Portanto, as chances de sair com prejuízos nesse tipo de ação é muito grande e, mesmo que isso não aconteça, o dinheiro que estará ganhando será em função de prejuízos de outros. E é importante que se tenha em mente que, ao se associar a uma prática ilegal, também poderá ser investigado por essa ação. 

Porém, é importante que se faça uma distinção dessas ações ilegais, como o marketing multinível, e o de rede, que é uma prática legal. Se a empresa faz o marketing de rede, mas contém um patrimônio líquido de garantia real, que sustenta a operação, ao invés de utilizar os clientes novos para pagar os antigos. A ação não é configurada como pirâmide financeira, pois não tem risco. Como ocorre com a Herbalife.

O problema ocorre quando o retorno não é em produto, e sim em serviço. Fica mais complicado e difícil de apalpar. É um processo de altíssimo risco. Se tivesse um órgão regulador que obrigasse a companhia que quer realizar o marketing multinível a ter dinheiro suficiente na reserva, tudo seria melhor.

Mas, como isso não acontece, a recomendação é cautela. Sempre questione qualquer oportunidade de ganhar dinheiro fácil. Saiba que educação financeira não é saber investir o dinheiro, mas sim todo o comportamento que se tem em relação a ele.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Avalie essa notícia:

Deixe seu comentário

Perfil do blogueiro

Reinaldo Domingos é presidente da Abefin (Associação Brasileira de Educadores Financeiros), autor de vários livros e criador da Metodologia DSOP de Educação Financeira.