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Ataque de Trump à Síria: risco de 3º guerra mundial?

Na última sexta feira (13), o ataque dos EUA à Síria, em resposta ao suposto uso de armas químicas pelo regime de Bashar al-Assad, trouxe muitas incertezas e um risco razoável de um conflito entre EUA e Rússia.

Ataque EUA Síria
(U.S. Navy)

A Síria está em guerra civil há 7 anos. De um lado o ditador Bashar Assad; do outro, o ISIS e demais grupos islâmicos insurgentes. Após o apoio aéreo e logístico da Rússia em favor do governo de Assad, os rebeldes perderam muita força, caminhando para uma derrota definitiva na região. Se de um lado a vitória de Assad parece certa; do outro, as consequências do conflito para estabilidade geopolítica mundial ainda são incertas.

Na última sexta feira (13), o ataque dos EUA à Síria, em resposta ao suposto uso de armas químicas pelo regime de Bashar al- Assad, trouxe muitas incertezas e um risco razoável de um conflito entre EUA e Rússia.

Primeiro, porque não está provado que houve um ataque com armas químicas pelo governo sírio contra seus cidadãos. Tanto o governo de Assad quanto a Rússia negam a utilização desse tipo de arma. Além disso, especialistas militares russos não encontraram nenhuma substância que indicasse a utilização de armamento químico. É claro que alguém poderia desconfiar se as declarações de Assad e de Moscou não seriam mentirosas. No entanto, alguns questionamentos lógicos dão suporte à versão de que o governo sírio e a Rússia falam a verdade. Vamos às perguntas:

1)      Por que o governo de Assad utilizaria armas químicas, quando se caminha para uma vitória na região?

2)      Para que utilizar armas químicas quando se tem apoio russo e quase o controle do país?

3)      Para que usar armas químicas e provocar os EUA, quando a vitória de Assad é praticamente certa?

 

Diante desses questionamentos não parece razoável que o governo de Assad teria incentivos para utilização de armas químicas, pelo contrário. Se, de fato, houve utilização de armas químicas, quem, então, poderia ter lançado-as?

Uma hipótese razoável é que os próprios rebeles teriam utilizado armamento químico para provocar uma intervenção americana e causar uma reviravolta na guerra. Com isso, os rebeldes teriam apoio dos EUA, mesmo que indireto, contra Assad e a Rússia.

Independentemente dessa hipótese ser verdadeira ou não, um ataque dos EUA à Síria foi imprudente. Imprudente, porque a Síria é zona de influência russa. Portanto, atacar a Síria é atacar indiretamente a Rússia, trazendo riscos para a estabilidade geopolítica internacional.

É claro que um ataque com armas químicas é algo abjeto e deve ser repudiado pela comunidade internacional, mas, neste caso, a retaliação pode trazer consequências muito maiores para humanidade.  Um conflito entre EUA e Rússia, colocaria em risco a vida de bilhões de pessoas no planeta. Diante disso, mesmo que o governo sírio tenha utilizado armas químicas, os EUA não poderiam ter atacado à revelia dos russos. Neste caso, deveriam literalmente ter combinado com os russos. Vale lembrar que Trump não está intervindo numa região qualquer, mas em um país aliado e de zona de influência direta dos russos.

Além da suposição de que Trump quis dar o exemplo, condenado a utilização de armas químicas por qualquer país, quais seriam as outras hipóteses que explicariam o ataque americano à Síria? Uma hipótese seria mostrar que ele, Trump, não teria nenhuma ligação com a Rússia, quando boa parte da mídia o acusa de ter relações com Putin. Outra, seria mostrar que ele tem uma postura diferente do seu antecessor Barack Obama, no Oriente Médio (vale lembrar que Trump criticava o ex-presidente pelo não intervencionismo militar na região).

 

Curiosamente, o ataque de Trump à Síria foi condenado pela imprensa conservadora dos EUA, entre eles, Fox News, InfoWars (Alex Jones, ), entre outros. Por outro lado, Hillary Clinton e a imprensa de esquerda americana (CNN, por exemplo) apoiaram o ataque do atual presidente dos EUA. Isso por si só já é motivo para desconfiar sobre a real necessidade do ataque.

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Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Alan Ghani

É economista, mestre e doutor em Finanças pela FEA-USP, com especialização na UTSA (University of Texas at San Antonio). Trabalhou como economista na MCM Consultores e hoje atua como consultor em finanças e economia e também como professor de pós-graduação, MBAs e treinamentos in company.

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