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Economia com Renata Barreto

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O começo do fim é só o começo

Com a aproximação do Impeachment, muitos querem apenas comemorar a saída da Presidente Dilma. Há sim que se fazer festa, mas não podemos achar que esta é a solução final. Ainda temos um longo caminho para a reconstrução do Brasil.

Lula e Dilma Rousseff
(Ricardo Stuckert/ Instituto Lula)

Caríssimos leitores! É com grande honra que estreio meu blog pessoal aqui no Infomoney com um assunto que fervilha nossas cabeças há algum tempo: o Impeachment de Dilma Rousseff. O Brasil se transformou num palco de disputas políticas acirradas, pessoas de todos os tipos discutindo mais do que poderiam supor sobre política e economia, travando batalhas ferrenhas em todos os seus círculos. Apesar de ter visto diversas coisas ruins nestas disputas, vejo também, pela primeira vez, uma enorme vontade das pessoas entenderem mais sobre assuntos sempre ditos chatos e sem graça. Verdade seja dita, política e economia sempre foram assuntos velados no Brasil, reservados apenas aos tios chatos nos almoços de família, aos colegas ditos intelectuais e aos que gostavam de se fazer entendidos. Os brasileiros comuns, em sua maioria, se interessam mais sobre música, diversão, novelas e futebol, mas não agora. Essa nova sede por conhecimento e consciência política, mesmo que tardia, pode ser a esperança de reascender a luz de um Brasil que está na UTI. 

Dilma Rousseff está em seu segundo mandato e faz sangrar o país, não só com suas políticas econômicas absolutamente fracassadas, como também em sua teimosia de insistir nos erros, continuar a incitar as pessoas uma contra as outras como ordenou seu marqueteiro, agora preso, além de ignorar os avisos dados de que o Brasil não iria suportar tantos golpes. Dilma é hoje uma figura fraca e desmoralizada, mesmo que tente passar uma imagem forte típica de quem sofre uma traição. Entretanto, a traidora desta vez é ela mesma, não só do Brasil, como de si. 

Após inúmeras idas e vindas, finalmente teremos a votação sobre o Impeachment pela Câmara dos Deputados. Hoje, dia 15 de abril, inicia-se a discussão do processo, os autores irão defender suas posições, assim como a defesa da Presidente, sendo possível a manifestação de cada um dos partidos. Esses debates devem ocorrer em toda a sexta-feira e também no sábado, sendo que no domingo, dia 17, a votação propriamente dita deve ter início as 15h, sem limite para acabar. É preciso de, pelo menos, 342 votos a favor do Impeachment para que ele seja encaminhado ao Senado. 

Provavelmente, a partir deste passo, não deve ter mais volta, embora ainda haja um longo caminho até o Impeachment de fato. Dilma poderia renunciar, mas visto que seu discurso é de que há um golpe em curso (mesmo não sendo), provavelmente só fará sangrar ainda mais esta disputa. Não sei se notaram, mas há tempos pouco se fala sobre economia, que é de fato o que mais me preocupa. É claro que precisamos ter a política estável para que a economia volte a seu curso, mas nesta disputa do poder e apenas pelo poder, nada tem sido feito para corrigir os erros cometidos e redimir a crise que tanto demoraram a assumir que existia. Em julho do ano passado, menos de um ano atrás, Dilma falava em Bruxelas que o Brasil tinha dinheiro sobrando, que tudo não passava de uma grande conspiração. Pois cá estamos, falidos, minguados e sem rumo. 

A pergunta que faço a vocês é: e depois? Vocês sabem que nada vai mudar magicamente com a saída de Dilma. É claro como a água que retirá-la do lugar de que nunca foi digna seja importante e necessário, mas é apenas o primeiro passo. É crucial entender isso agora e, como cidadãos, devemos estar preparados e atentos para a fase que vem após sua queda. O governo Temer possivelmente será muito melhor do que este que vimos até hoje, mas, honestamente, qualquer um faria isso, não só porque superar Dilma em incompetência seja difícil, como também pela abertura de uma grande oportunidade ao político que receber esta missão. Temer não é nada bobo, meus caros. E o plano econômico do PMDB é bem razoável. O tempo dirá.

Tenha calma, não estou falando que Temer é o melhor dos mundos, flor que se cheire, amigo do povo. Também não estou falando que o PMDB é o partido que gostaria que estivesse no comando do Brasil, não só na presidência como na Câmara e no Senado. Mas vejam, esse balaio de gatos que nos enfiamos é culpa única e exclusiva daqueles que neles votaram. Nós, o povo, somos responsáveis pelos que lá estão, pela retirada delas, pela cobrança de suas propostas, assim como de não eleger quem nos trair. Alguém me explica o que Fernando Collor de Melo está fazendo no Senado por Alagoas? Alguém me explica porque ainda dão voz a políticos comprovadamente corruptos? Eu sei que as opções são escassas, mas somos nós, o povo, que temos o poder de mudar tudo isso. Se Temer vai assumir, é porque quem votou em Dilma apertou 13, olhou ambas as fotos e deu confirma. Não se esquive.

A partir do momento que Dilma der seu adeus final, que espero que seja realmente para nunca mais, muitos irão comemorar. Eu também. Mas meu medo é que o Brasil se perca novamente em festa antes mesmo de ela começar, enfiar os pés pelas mãos, esquecer de todo o trabalho árduo feito até agora para conseguirmos tudo isso e continuar a se preocupar tão e somente com as amenidades que nos alegram e divertem. O Brasil, até hoje, foi espaço para políticos profissionais e cidadãos amadores. Podemos inverter esse jogo? Como? Não perdendo essa consciência política que criamos às pressas, não só no que tange o rumo econômico do país, quanto o que fazer com políticos que zombam da justiça e da sociedade.

O começo do fim deste governo é um ótimo sinal, entretanto, é só o primeiro. Não podemos parar por aqui. A partir do novo governo, pode renascer um novo Brasil, mesmo que ainda hajam disputas e problemas, mas principalmente, pode fazer renascer cada um de nós como verdadeiros brasileiros que arregaçam as mangas e não delegam suas batalhas a ninguém. Vem comigo?

 

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Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Renata Barreto

Renata Barreto é economista, empresária, atua no mercado de capitais há 13 anos com experiência em trading, estruturações e advisory, nos mercados doméstico e internacional. Já lecionou para cursos de finanças, introdução à economia e cursos preparatórios para certificações. Hoje concentra seus negócios em consultoria de investimentos, projetos e tem paixão por escrever sobre política e economia.

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