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Trump pode mudar o rumo do dólar no Brasil

Mercado ansioso para acompanhar no dia 11 de janeiro a primeira coletiva de imprensa de Trump, que tomará posse como Presidente dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro. Se Trump mantiver as suas promessas de campanha, há espaço para apreciação do dólar no Brasil.

A virada do ano trouxe um presente para aqueles que têm planos de viajar para o exterior: cotação do dólar em torno de R$3,20! Após o susto no câmbio entre a eleição de Trump e a reunião do FOMC (que é o Comitê de política monetária do Fed – Banco Central dos Estados Unidos) de dezembro, o dólar caiu!

Destaco quatro fatores internos fundamentais para a queda do dólar (não obrigatoriamente nesta ordem):

1-     Captações das empresas brasileiras, que aceleram o ritmo das emissões de bônus externos após o anúncio de intenção de captação em euros do Tesouro Nacional e antes da posse de Trump, marcada para o dia 20 de janeiro. Enquanto a principal Lei da Economia não for revogada - Oferta e Procura, o dólar não tem forças para subir;

2-     CDS de 5 anos, que representa o risco país, caiu aproximadamente 20% desde a sua máxima de nov/dez e 10% desde o final do ano passado.

 

 3-     Expectativa de aprovação da reforma da Previdência após a promulgação da PEC 55 (que limita os gastos do Governo) e com a crença na manutenção de Rodrigo Maia na presidência da Câmara;

4-     Recesso do Judiciário, que provoca ausência de notícias da Lava Jato.

Estes fatos, além da forte alta das commodities metálicas (minério de ferro subiu aproximadamente 30% após a eleição de Trump), ofuscaram as altas súbitas do Dollar Index (que mede a variação do dólar contra cesta de 6 moedas: euro, yen, libra, dólar canadense, coroa sueca e franco francês) e dos juros das Treasuries de 10 anos (que subiu da faixa de 1,80% do início de novembro para a faixa de 2,40% atualmente).

O gráfico abaixo mostra a evolução do Dollar Index e dólar dos Estados Unidos contra a moeda do Brasil (USD/BRL) e contra a moeda da Austrália (USD/AUD). A moeda da Austrália apresenta no longo prazo comportamento muito semelhante ao real.

Data inicial: 31 de outubro de 2016, todas as moedas com base 100

Eleição de Trump: 08 de novembro de 2016

Reunião do FOMC: 14 de dezembro de 2016

Data final: 09 de janeiro de 2017

 

Fonte: Wagner Investimentos

Conclusão: o real iniciou e terminou o período estável, mas o Dollar Index subiu 3,5% e a moeda da Austrália caiu 3,4%, fatos que sugerem que o dólar deveria estar mais próximo de R$3,30 do que de R$3,20.

 

Observado o passado, vamos verificar o que nos espera até o início de fevereiro, período que terá agenda muito intensa, sobretudo nos Estados Unidos.

A-    Eventos externos:

1-     11 de janeiro – coletiva de imprensa de Donald Trump. É muito importante destacar que o vice-presidente eleito, Mike Pence, disse na semana passada que Trump tem a intenção de cumprir as suas promessas de campanha;

2-     19 de janeiro – reunião do BCE (Banco Central Europeu);

3-     20 de janeiro – posse de Donald Trump;

4-     01 de fevereiro – indicadores PMI (Purchasing Managers’ Index, que são indicadores antecedentes do PIB) da China, Europa e Estados Unidos e reunião do FOMC;

5-     03 de fevereiro – divulgação dos dados do emprego nos Estados Unidos, incluindo o número de vagas criadas (payroll), taxa de desemprego e valor dos salários. Este indicador, junto com o PMI, explica a maior parte das movimentações do mercado nos Estados Unidos, e quanto mais forte, maior a chance do Fed apertar os juros.

 

B-    Eventos internos:

1-     11 de janeiro – IPCA de 2016 e reunião do Copom;

2-     12 de janeiro – divulgação do Prisma Fiscal (expectativa dos agentes econômicos do déficit do governo);

3-     02 de fevereiro – eleição do presidente da Câmara

 

Abaixo, a agenda em tópicos:

 

Neste ambiente, acredito que o dólar/real é negociado perto do seu piso para o momento e se Trump confirmar o seu discurso de campanha, o dólar tenderá a subir em direção a 3,30, talvez não muito mais do que isto.

Caso as notícias sejam mais favoráveis, com Trump recuando do discurso de campanha e com o Fed menos hawkish (termo usado para bancos centrais com disposição de subir os juros), o dólar deverá continuar a sua atual tendência de baixa e pode testar a região de R$3,10 / R$3,15.

Somente para lembrar, no blog do dia 16 de novembro fiz dois comentários importantes:

1-     Se o dólar respeitasse a região de R$3,50, a tendência era de que o pior teria ficado para trás;

2-     Se os juros das Treasuries de 10 anos se acomodassem, o dólar também ficaria mais calmo por aqui. No dia, a taxa estava em 2,30% e quase dois meses depois, em 2,37%.

Até o presente momento, os fatos mostraram que estes comentários foram válidos.

Na próxima semana teremos passados por eventos importantes, fato que deverá deixar o cenário mais claro.

Até a próxima segunda-feira!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Donald Trump
(Bloomberg)

perfil do autor

José Faria Júnior

José Raymundo de Faria Júnior é diretor da Wagner Investimentos e Consultor de Valores Mobiliários registrado na CVM. Economista formado na UFJF, com mestrado em Administração pela Fecap e possui as certificações CFP® de planejamento financeiro pessoal e CNPI de analista de ações. Também atua como professor de finanças em cursos de MBA na BSP Business School São Paulo, Escola Superior Nacional de Seguros e Faculdades Oswaldo Cruz.

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