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Apertem os cintos: teremos duas semanas de emoções no câmbio!

As próximas duas semanas são recheadas de eventos, incluindo referendo na Itália, e o dólar poderá ficar volátil. No Brasil, Copom poderá surpreender e aprovação da PEC 55 é fundamental para os mercados terem um pouco mais de confiança.

Antes de focar nos eventos mais importantes das próximas duas semanas com potencial de alterar a cotação do dólar, no Brasil e no Exterior, é importante comentar as variações do dólar/real da semana que passou. Na segunda-feira e terça-feira o dólar caiu em direção a R$ 3,30. Porém, voltou a rondar a região do R$ 3,40 em parte devido à alta do Dollar Index (que é a cotação do dólar contra uma cesta de 6 moedas: euro, libra, yen, franco suíço, coroa sueca e dólar canadense) e a queda do petróleo em função das incertezas sobre um possível acordo de limitação da produção entre os membros da OPEP. Do ponto de vista doméstico, a alta está ligada a duas grandes incertezas: a- acordo de dívida com os Estados (e também com os municípios); b- as movimentações políticas em Brasília, com destaque para a queda do ministro Geddel, que elevou os temores da capacidade do governo aprovar importantes e imprescindíveis reformas no Congresso.

Noto que, entre março e outubro, tivemos diversos eventos favoráveis para a queda do dólar no Brasil, com destaque para o adiamento da alta dos juros pelo Fed e a recuperação do nível de confiança dos agentes econômicos no Brasil após o impeachment de Dilma. Porém, neste momento, o combustível dos motores externos e internos (veja a postagem da semana anterior, quando comento que há dois motores para o dólar: externo e interno) para deixar a relação dólar/real fraca começa a faltar: o Fed subirá os juros em dezembro e os índices de confiança começam a cair, fato que será refletido nos dados do PIB desta semana (para maiores detalhes, veja a minha postagem do indicador que antecipa o PIB: http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/5430444/conheca-indicador-que-fara-voce-adivinhar-resultado-pib-brasileiro)

Agora, vamos olhar para frente, começando pela agenda dos próximos dias.

A-    Eventos externos:

1-     29 de novembro - divulgação da segunda prévia do PIB dos Estados Unidos do 3º trimestre: Quanto mais forte vier o dado amanhã, maior será a aposta do mercado em alta mais forte dos juros pelo Fed em 2017 e 2018;

2-     30 de dezembro - reunião da OPEP sobre acordo de limitação da produção: Se o acordo falhar, o petróleo deverá cair, arrastando com ele outras commodities, e petróleo mais fraco, dólar mais alto;

3-     01 de dezembro - divulgação do PMI da indústria, que é um índice de confiança: Gosto de acompanhar o indicador da indústria porque é um setor bem cíclico, ou seja, mais sensível, que melhora e piora antes do setor de serviço. O PMI da indústria é sempre divulgado no primeiro dia útil do mês seguinte à pesquisa, assim, nesta quinta-feira saberemos como está a confiança da indústria na China, na zona do euro e nos Estados Unidos (e também no Brasil). Quanto mais alto, melhor. Eu irei criar um relatório específico para explicá-lo;

4-     02 de dezembro - divulgação dos dados do emprego nos Estados Unidos, incluindo o número de vagas criadas (payroll), taxa de desemprego e valor dos salários: Este indicador, junto com o PMI, explica a maior parte das movimentações do mercado nos Estados Unidos, e quanto mais forte, maior a chance do Fed apertar os juros;

5-     04 de dezembro - referendo na Itália: É bastante provável que aconteça a derrota do Primeiro-Ministro Matteo Renzi e a sua queda provocará a formação de novo gabinete e gerará dúvidas quanto ao processo de recuperação dos frágeis bancos do país. Aversão ao risco é igual a dólar mais forte.

Beppe Grillo, comediante italiano e presidente do Movimento 5 Estrelas, deverá sair fortalecido. Ele afirmou que se chegar ao poder (já tem a prefeitura de Roma), proporá referendo para deixar a Zona do euro;

 

6-      08 de dezembro - reunião do Banco Central Europeu (BCE): Mercado aposta que o BCE indicará a elevação dos mecanismos de enfraquecimento do euro para elevar a inflação e o crescimento na região. Queda do euro é igual a dólar mais forte;

7-     14 de dezembro - reunião do comitê de juros do Fed (FOMC): Não parece haver nenhuma dúvida quanto à decisão, nesta reunião, de subir os juros nos Estados Unidos de 0,50% para 0,75%. Porém, temos que ficar atentos as projeções para 2017 e 2018 do Fed para juros, inflação, emprego e PIB e também à coletiva de imprensa de Janet Yellen, presidente do Fed. É uma reunião muito importante, não pela decisão de subir os juros, mas pela formação da expectativa do quanto os juros poderão subir nos próximos dois anos nos Estados Unidos. Quanto mais alto os juros dos títulos de 10 anos, mais alto é o dólar.

 

B-    Eventos internos:

1-     30 de novembro - divulgação do PIB do 3º trimestre, que deverá mostrar nova contração, porém menor que a contração anterior, o que é uma boa notícia, apesar de perda no ritmo da recuperação nos meses de julho a setembro, fato apontado pelo último relatório Focus do Banco Central (que é divulgado toda segunda-feira);

2-     30 de novembro - reunião do Copom, que deverá cortar os juros em 25 bps (0,25%): É muito pouco ... isto não ajuda na recuperação da economia, mas, o BC quer garantir o controle da inflação (na meta de 4,5%) para depois elevar o ritmo de corte dos juros. Um corte de 50 bps (0,50%) seria uma ótima surpresa;

3-     13 de dezembro - votação em segundo turno da PEC 55 no Senado: A vitória do Governo é esperada, e quanto mais votos, melhor. O problema é que, nas últimas semanas, o Governo perdeu força com o temor da delação da Odebrecht, a renúncia de Geddel e a tentativa de descriminalizar o caixa 2.

 

Abaixo, segue a agenda em tópicos:

 

E, além da agenda, as notícias dos Estados e municípios preocupam, e muito!

Duas notícias em circulação na imprensa são muito preocupantes:

1-      Estados do Nordeste indicam que não houve acordo com Meirelles na terça-feira passada (dia 22 de novembro) e que devem recorrer ao STF para pedir sua parte na repatriação sem entregar as contrapartidas de ajuste fiscal. Os governadores alegam que tinham se comprometido a apoiar a reforma da Previdência, mas o detalhamento das medidas anunciado por Meirelles não foi negociado. Ou seja, novas rodadas de negociação a caminho e, muito provavelmente, com menores contrapartidas de Estados e municípios.

2-     Estados e municípios devem R$120 bilhões aos bancos públicos: R$38 bi ao BB; R$33 bi a Caixa e R$50 bi ao BNDES. E, os maiores beneficiários são entes federativos em péssimas condições financeiras, que somente conseguiram os recursos devido o aval da União.

Neste ambiente, acredito que o dólar/real seguirá negociado em torno do patamar atual – R$3,40, podendo se consolidar perto de R$ 3,30/R$ 3,35 na medida em que as notícias sejam digeridas.

Caso as notícias sejam muito desfavoráveis, o mercado poderá sofrer novo stress, mas este não parece ser o movimento mais provável. Como dito há duas semanas, tudo indica que o melhor ponto de compra ficou para trás.

Até a próxima segunda-feira!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Matteo Renzi
(Bloomberg)

perfil do autor

José Faria Júnior

José Raymundo de Faria Júnior é diretor da Wagner Investimentos e Consultor de Valores Mobiliários registrado na CVM. Economista formado na UFJF, com mestrado em Administração pela Fecap e possui as certificações CFP® de planejamento financeiro pessoal e CNPI de analista de ações. Também atua como professor de finanças em cursos de MBA na BSP Business School São Paulo, Escola Superior Nacional de Seguros e Faculdades Oswaldo Cruz.

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