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Expectativas altíssimas levam Magazine Luiza a superar os R$ 330 - mas ainda há mais altas pela frente

Mais uma vez, a expectativa é de um resultado forte para a companhia - mas ela também é uma oportunidade no longo prazo, diz Bradesco BBI

SÃO PAULO - Impossível de ser ignorada. Esta tem sido uma constante para a ação da Magazine Luiza (MGLU3), principalmente às vésperas da divulgação dos resultados trimestrais. Neste mês, em que será revelado o balanço do segundo trimestre de 2017, não é diferente. A companhia, que divulgará seus dados no próximo dia 31 (depois do fechamento do mercado), já viu suas ações subirem quase 30% no período.

No dia 11, por sinal, os papéis da companhia romperam a sua máxima histórica e ultrapassaram os R$ 300, fechando cotados a R$ 303,99. E quem pensava que as ações poderiam estacionar após o recorde, enganou-se: menos de uma semana depois, os ativos MGLU3 superavam os R$ 330.

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O motivo para tanto são as avaliações cada vez mais positivas para a companhia, em um ambiente completamente diferente do registrado no final de 2015 quando, em 14 de dezembro, o papel MGLU3 atingiu a mínima de R$ 7,78. Desde então, os papéis já subiram 3961% (na comparação com o fechamento do último dia 14 de julho) - validando uma grande mudança para a companhia. E a transformação deve continuar, apontam analistas de mercado, dando um maior impulso para os papéis. 

O otimismo do mercado para o balanço ficou evidenciado após a divulgação de relatório de prévia do BTG Pactual, no início do mês, em que apontou a Magazine Luiza como a principal fonte de otimismo para o setor de varejo no segundo trimestre. De acordo com o banco, apesar do momento ruim da economia, com o alto nível de desemprego e os impactos na confiança por conta da crise política, a empresa deverá apresentar crescimento anual de 50% no segmento de e-commerce, sendo que as "vendas mesmas lojas" consolidadas deverão crescer 22% na passagem anual. 

"Apesar do cenário político incerto, com efeitos negativos no ritmo de recuperação econômica do Brasil, a Magazine Luiza não mostra sinais de desaceleração, beneficiada por sua forte execução", exaltam os analistas. Para o segundo trimestre, o banco de investimento espera um crescimento anual de 21,2% para a receita líquida, enquanto o Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado deve crescer 31,7% na mesma base de comparação, alcançando R$ 215 milhões. Para o lucro líquido, os analistas esperam R$ 58 milhões, alta de 461,6% frente os R$ 10 milhões do segundo trimestre do ano passado. Veja mais sobre o relatório do BTG clicando aqui. 

No mesmo dia, o Santander reforçou a visão positiva para os números, vendo um crescimento do Ebitda de 42% na comparação anual, forte geração de caixa e crescimento no lucro. A equipe do banco avalia que o mercado deve revisar os números da companhia para cima após a divulgação do resultado.  

Ação a quase R$ 400? O Bradesco BBI acredita que sim
Um dos pontos destacados pela análise do Santander e corroborada também pelo Bradesco BBI é de que, além da forte execução da companhia, o pior na economia (apesar do cenário desafiador continuar) parece ter passado, o que ajuda o setor de varejo. 

Neste sentido, em relatório desta segunda-feira chamado "ainda não é tarde demais: mais valorizações no horizonte", os analistas do Bradesco BBI Richard Cathcart e Mariana Vergueiro elevaram mais uma vez as suas estimativas para a ação MGLU3 de forma bastante significativa. O preço-alvo para os ativos para 2018 foi elevado em mais de 36%, passando de R$ 290 para R$ 395 e configurando um potencial de valorização de 25% em relação à cotação da última sexta-feira. Assim, apesar da forte alta acumulada de 184% no ano até o fechamento do último pregão (e de 212% se considerar o desempenho desta sessão), os analistas apontam que os ganhos operacionais devem impulsionar ainda mais altas para a ação da companhia. 

"Uma forte execução está levando a um aumento de participação de mercado e de lucratividade. Com o crescimento das vendas nas mesmas lojas em dois dígitos e crescimento do e-commerce em cerca de 50%, a companhia está superando seus pares", apontam Catchcart e Vergueiro. Isso porque a companhia tem sido a líder na densidade de vendas (receita gerada em relação a uma determinada área), margens brutas e satisfação do consumidor online, todos eles pontos catalisadores para um crescimento expressivo. 

"Isso permite que a Magazine se aproveite da fraqueza e/ou revisões estratégicas de seus concorrentes (grandes e pequenos) (...), fortalecendo também a posição competitiva de longo prazo na categoria eletrônica e no varejo online. Também está cada vez mais claro que a companhia 'abraça' a tecnologia como outra força motriz do desempenho da empresa", apontam os analistas.

Para reforçar essa visão, eles destacam uma visita recente que fizeram ao Luizalabs - laboratório de tecnologia e inovação que tem como objetivo criar produtos e serviços com foco no varejo, de forma a oferecer aos clientes mais benefícios e uma melhor experiência de compra.  A ideia foi concebida em 2012, com o objetivo de criar uma equipe ágil e autônoma para impulsionar o que se tornaria a estratégia de transformação digital. Em apenas cinco anos, houve uma grande integração de todo o pessoal de Tecnologia da Informação no Luizalabs, "destacando a importância que a empresa coloca na cultura e nas práticas de trabalho que visam promover a velocidade e a inovação, em contraponto ao que se vê na maior parte das grandes empresas", aponta o Bradesco BBI. 

Com base nesse cenário, o Bradesco BBI também aumentou as estimativas de lucro por ação pela terceira vez em seis meses. Agora, vê o lucro líquido para o ano que vem em R$ 431 milhões, ante estimativa de R$ 212 milhões em janeiro (ou uma alta de 103%).

Assim, apesar de ver o segundo trimestre como um forte catalisador para o preço da ação, os analistas do Bradesco seguem vendo uma oportunidade de longo prazo para os investidores. "Muitos projetos ainda estão crescendo (como a Retira Loja e o marketplace) e impulsionarão a empresa. Além disso, a Magazine Luiza é bastante sensível a um cenário de taxa de juros mais baixa e normalização das condições econômicas", afirmam.

Assim, após a disparada registrada desde 2016, o otimismo deve seguir para a Magazine Luiza - e a divulgação dos balanços são um bom vetor para determinar até onde a euforia com uma das ações que mais brilha na bolsa deve chegar. 

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Magazine Luiza
(Divulgação/Shopping Iguatemi Fortaleza)

perfil do autor

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Thiago Salomão

Editor de Mercados do InfoMoney, analista técnico e fundamentalista e criador da Carteira InfoMoney. Graduado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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