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Uma notícia provoca a disparada de até 70% da OGX hoje: faz sentido ou é apenas "fogo de palha"?

Alta das ações da petroleira nesta sessão vem acompanhada de forte volume financeiro, que ultrapassa em mais de 200 vezes a média diária dos últimos 21 pregões

SÃO PAULO - Distantes dos holofotes do mercado há um bom tempo, a Óleo e Gás Participações (OGXP3), antiga OGX Petróleo, que deixou marcas em muitos investidores após queda de 99,9% do topo de 2011 até 2015 (quando bateu sua mínima histórica e viu sua liquidez minguar na bolsa em meio a dívidas bilionárias), volta a ganhar destaque nesta sexta-feira (2), mas, desta vez, por um "bom" motivo. As ações da petroleira - que era a principal do grupo EBX, do empresário Eike Batista - dispararam até 67% nesta sessão, após a companhia anunciar que entrou com pedido na Justiça para o encerramento do seu processo de recuperação judicial. 

Na prática, o que os investidores leem com a notícia é que a companhia, que detinha, junto com a OGX Petróleo e Gás, dívidas de mais de 13,8 bilhões em 2013 quando entraram com pedido de recuperação judicial, pode estar em um momento melhor. 

Em cima disso, as ações da companhia saltavam 65,25%, a R$ 5,04, segundo cotação das 15h46 (horário de Brasília), após registrarem ganhos de 67,21%, a R$ 5,10, na máxima do dia. Um movimento que era acompanhado por forte volume financeiro de R$ 16,4 milhões, ou 212 vezes acima da média diária dos últimos 21 pregões, de R$ 76,9 mil.  

As demais ações do "grupo X" acompanhavam o movimento e subiam forte na bolsa. São elas: MMX Mineração (MMXM3, R$ 4,30, +10,26%), CCX Carvão (CCXC3, R$ 1,10, +7,84%) e OSX Brasil (OSXB3, R$ 10,85, +7,75%).  

"O que o mercado vê agora, sem olhar para os números da própria empresa, é que, com o fim do processo de recuperação, onde as dívidas são alongadas ou até mesmo os credores dão carência para que a empresa efetivamente se recupere, a companhia momentaneamente pode estar em um momento melhor", diz João Paulo Reis, gestor da Venture Investimentos. 

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Embora a explicação para o movimento de hoje esteja na percepção de que o fim de uma recuperação judicial sinaliza que muito provavelmente o pior já tenha passado para a empresa, dado que a companhia precisaria ter cumprido o plano traçado com os credores, é preciso lembrar que, no caso da OGPar, há, por enquanto, apenas um pedido por parte da empresa, ainda não existe uma definição sobre a real situação financeira da companhia, ressalta André Prates, analista de óleo e gás da Eleven Financial. Ou seja, "o movimento de hoje é resultado de expectativas de uma possível retomada operacional da empresa. A alta está ligada a fluxo, não fundamentos da companhia de longo prazo", alerta.  

Em comunicado enviado à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), a OGPar e OGX Petróleo e Gás informaram que entraram com o pedido do encerramento da recuperação judicial, após terem cumprido todas as obrigações previstas em seus respectivos planos. "As companhias entendem que não existem pendências e obstáculos legais ou processuais que possam impedir o encerramento da recuperação judicial", diz a nota. 

Criada em 2009, a empresa lançou ações na bolsa em 2010 e levantou quase R$ 6,7 bilhões. Dez meses depois, as ações da empresa alcançavam sua máxima histórica na bolsa, aos R$ 23,37. Mas, em meio à crise, após revelar reservas de petróleo abaixo do projetado, as ações da companhia desabaram nos anos que se seguiram (da máxima histórica até agora, a queda acumulada é de 99,9%). A companhia pediu recuperação judicial em outubro de 2013 e teve seu plano aprovado em junho de 2014.

O empresário Eike Batista, fundador da empresa e antigo controlador, é hoje um acionista minoritário. Em 2014, ele fechou um acordo com os credores e entregou o controle da companhia para se livrar de uma dívida de quase R$ 14 bilhões.

Veja abaixo as 5 piores histórias sobre Eike Batista na bolsa:

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OGX 03 - Primeiro Oleo
(Divulgação OGX)

perfil do autor

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Thiago Salomão

Editor de Mercados do InfoMoney, analista técnico e fundamentalista e criador da Carteira InfoMoney. Graduado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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