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De queda de 2% para salto de até 3%: o que explica a reação do BB após o balanço?

A frustração virou esperança: após decepção com o lucro fraco, as perspectivas positivas para o banco impulsionaram os papéis nesta sessão

SÃO PAULO - De uma queda de 2% no início da sessão a uma disparada de 3%: quem acompanhou o movimento das ações do Banco do Brasil (BBAS3) após a divulgação do balanço do quarto trimestre deve ter ficado intrigado. Afinal, os números da companhia foram bons ou ruins? 

Ao analisar os números divulgados hoje pela manhã, tudo indicava que o dia prometia ser de baixa para os papéis BBAS3. O lucro contábil da companhia desabou 61,6% na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando R$ 963 milhões, em meio ao impacto das despesas não recorrentes de R$ 1,401 bilhão com o plano de aposentadoria incentivada. Contudo, mesmo excluindo esse impacto, o lucro foi abaixo do esperado, totalizando R$ 1,747 bilhão ante estimativa de R$ 1,94 bilhão (segundo analistas consultados pela Bloomberg).

As despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos, por sua vez, totalizaram R$ 6,636 bilhões no último trimestre do ano passado, 9% superior frente ao terceiro trimestre e com alta de 4,5% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Esta foi uma surpresa negativa, aponta o Itaú BBA, uma vez que o aumento decorreu como consequência da deterioração dos ativos, além de haver uma previsão complementar e reforçou a cobertura para a inadimplência. 

Porém, apesar desses números fracos, os analistas de mercado destacaram que esse número não foi o que realmente importou entre os dados apresentados pela companhia: o mercado já esperava resultados ruins da instituição financeira, ainda mais levando em conta a revisão para baixo em suas estimativas sobre o ano de 2016 que eles já tinham feito durante o ano passado.  

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Enquanto isso, se 2016 foi difícil, 2017 parece ser melhor, conforme ressaltou o próprio banco em seu guidance para este ano, motivo este que vem impulsionando as ações desde a abertura. O BB projeta ter um lucro líquido ajustado entre R$ 9,5 bilhões e R$ 12,5 bilhões neste ano, o que indica um crescimento na comparação com o lucro líquido ajustado de R$ 7,2 bilhões de 2016.

"Acreditamos na melhora de resultados do Banco, que segue negociando abaixo do patrimônio líquido. No guidance pra o ano de 2017, projetando um aumento entre de 31,94% no piso da estimativa e no teto, de 73,61%. O BB projeta ainda que sua margem financeira bruta sem recuperação de operações em perdas fique entre 0% e 4% neste ano. Enfim, seguimos otimistas com a exposição no médio prazo as ações do Banco do Brasil", ressalta a XP Investimentos.

A conferência de resultados do banco ajudou a renovar as estimativas do mercado:  o presidente-executivo do banco, Paulo Caffarelli, afirmou que a rentabilidade virá primeiro do que a participação de mercado para o BB, como parte dos esforços de reduzir o intervalo de retorno sobre o patrimônio (ROE, na sigla em inglês) em relação aos seus concorrentes do setor privado, afirmou nesta quinta-feira. Ele disse ainda que as receitas com juros do banco de controle estatal devem crescer mais rápido do que a média de seus rivais neste ano.

Além disso, conforme ressalta a Guide Investimentos, o banco vem mostrando melhoras nos indicadores operacionais: despesas sobre controle com evolução na margem financeira ajudado pela operação de crédito e recuperação de créditos enquanto, apesar da inadimplência elevada, as estimativas são de melhora daqui para frente. 

Para o Bradesco BBI, o resultado do quarto trimestre, inclusive, corrobora o guidance positivo para o Banco do Brasil. A qualidade de crédito ainda não está melhorando, mas a expectativa para o ano de 2017 é bastante factível. O banco prevê para 2017 despesas com provisão, já líquidas de recuperação de operações em perdas, entre R$ 20,5 bilhões e R$ 23,5 bilhões, queda entre 13% e 24% em relação aos R$ 27 bilhões registrados no ano passado.

A margem financeira, por sua vez, continua aumentando, com o segmento corporativo compensando participalmente a queda na carteira de crédito. "O que é mais significativo, em nossa opinião, é a orientação do Banco do Brasil para o crescimento do NIM entre 0% e 4% em 2017, apesar da queda na carteira de crédito entre 3% e 4% no período, indicando que há ainda mais espaço para expansão da margem. 

Um aumento no índice de Basileia da empresa, com o "colchão de capital" registrando progressiva elevação nos últimos trimestres, pode indicar uma reativação do crescimento da companhia. Além disso, as estimativas para  as despesas, de expansão entre 1,5% e 4,5%, parecem ser conservadoras. "O banco já assegurou uma diminuição das despesas, tendo em vista a redução de pessoal e o desligamento de filiais. Em nossa opinião, o banco pode surpreender nesse quesito, como foi o caso para 2016", apontam os analistas.

Por outro lado, o BTG Pactual  aponta: o ROE está em uma trajetória de recuperação, mas ainda em um passo bastante gradual. "Embora estivéssemos provavelmente um pouco otimistas demais, o guidance indica um número 14% menor ante as nossas estimativas devido à maior provisão de perdas de empréstimos antecipada para o quarto trimestre e o plano de reestruturação em curso (redução das sucursais e número de trabalhadores), o que levaram os investidores a ficarem um pouco frustrados. A expansão do ROE está acontecendo, mas a um ritmo gradual", apontam os analistas. 

Em meio a essas perspectivas, e apesar de algumas ressalvas, diversas casas de análise estão vendo um 2017 mais positivo para o banco estatal. O Itaú BBA tem recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para o BB, com preço-justo de R$ 31,50, enquanto o Bradesco BBI tem a mesma recomendação, com preço-alvo de R$ 36,00. Por outro lado, o BTG Pactual segue com recomendação neutra para os ativos, com preço-alvo de R$ 32,00, ao destacar que prefere outros nomes do setor como Itaú Unibanco, Bradesco ou ABC Brasil. "Porém, nosso viés é positivo para a companhia", apontam os analistas. 

Desta forma, após o "susto" com o lucro e a queda de 2% dos papéis no início da sessão, o cenário aponta: há sim motivos para a alta da ação hoje. O futuro mostrará se o banco, ao fazer as previsões, e os analistas estavam mesmo certos. 

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Banco do Brasil - loja-conceito de Brasília
(Divulgação)

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Thiago Salomão

Editor-chefe do InfoMoney, analista CNPI-P (Fundamentalista e Técnico), criador e analista responsável pela Carteira Recomendada InfoMoney e professor do curso "Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora". Formado em em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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