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Quer uma ação defensiva? Vai na Ultrapar; quer uma não defensiva? Vai nela também!

No ano, as ações da Ultrapar não estão se destacando tanto, mas o desempenho desde 2000 impressiona: afinal, qual o segredo da companhia?

Ipiranga Ultrapar
(Reprodução Youtube)

SÃO PAULO - Você conhece a Ultrapar? Se não, vamos tentar de novo: você conhece o posto Ipiranga?

Desta vez a resposta provavelmente é sim e, mesmo que sem saber, mostra que você conhece a Ultrapar. A empresa é uma das queridinhas da Bovespa e tem 85% de seu valor correspondente ao Ipiranga, a rede de postos de combustíveis que ganhou destaque com uma propaganda que traz a solução para praticamente todas as questões: perguntar lá no posto!

Mas afinal, qual é o segredo das ações da companhia que a faz ser tão bem vista pelo mercado? É bem verdade que os papéis UGPA3 não estão entre as maiores altas do Ibovespa neste ano, mas seu desempenho nos últimos anos mostra um ótimo resultado seja em tempos de crise ou de crescimento. Este ano os ganhos já superam os 23%, já acima da alta de 20% de 2015. Mas se olharmos para o longo prazo a alta é ainda mais surpreendente: são 3.117% de alta desde o ano 2000.

Talvez a maior prova de que a companhia entrega bons resultados sem importar o cenário macroeconômico seja a incrível marca de quarenta trimestres seguidos de crescimento do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) - ou seja, há 10 anos a empresa mantém constante evolução em seu balanço. Analistas destacam um perfil resiliente para períodos mais difíceis, mas sem deixar de lado a possibilidade de explorar novas oportunidades que permitam aproveitar cenários econômicos melhores.

No atual momento, por exemplo, o Credit Suisse vê a Ultrapar ligada a esta resiliência para enfrentar a economia ainda cambaleante do país, mas também acredita na possibilidade da empresa capturar da recuperação econômica do país em diversas opções de segmentos. Os analistas até acreditam que a demanda por combustíveis irá gradualmente voltar a uma trajetória crescente, mas é pouco provável que seja uma recuperação expressiva, o que aumenta o peso de outros negócios da companhia, fora o Ipiranga.

Mesmo ponto que ressalta o Santander, um dos mais otimistas com a companhia. Os analistas do banco destacam que a empresa deve continuar a oferecer margens saudáveis e resultados operacionais sólidos nos próximos meses. Segundo eles, o segmento Ipiranga tem entregue volumes fracos, mas que está sendo compensado pelos excelentes números da Ultragaz e pela Extrafarma acelerando a abertura de lojas. Tudo isso levou o Ebitda do segundo trimestre e ficar em R$ 12 milhões, quase o dobro dos R$ 7,7 milhões que o banco esperava.

Para os analistas do banco, a prioridade da empresa neste momento continua sendo a rentabilidade e a geração de crescimento do Ebitda acima da inflação, mesmo com uma pressão maior sobre o Ipiranga nos últimos trimestres. Mesmo assim, a equipe do Santander acredita que este principal segmento da Ultrapar está bem posicionado para postar um crescimento de dois dígitos do Ebitda no terceiro trimestre. 

Desafios à frente?
Contrapondo-se ao cenário de otimismo dos analistas, o Bradesco BBI rebaixou no final de agosto as ações da Ultrapar para neutra, com preço-alvo de R$ 75,00 por papel, destacando que a integração da Alesat pode ser desafiadora em função das condições macroeconômicas. Além disso, a Oxiteno deve mostrar piora em seus resultados dada a apreciação do real.

Porém, eles mantêm um tom elogioso sobre a empresa: "ressaltamos que o grupo Ultrapar é sem dúvida o benchmark da indústria para os seguintes aspectos: i) governança corporativa, ii) crescimento de Ebitda (quarenta trimestres consecutivos), iii) guidance realista e iv) atividades de fusão e aquisição". Contudo, afirma que, dado o valuation nos maiores níveis em três anos e os desafios pela frente, a recomendação do Bradesco BBI para os ativos é neutra.

Os principais direcionadores para o desempenho da Ipiranga são afetados em meio à incerteza sobre a macroeconomia, ressaltam os analistas, principalmente quanto ao salário real e emprego. "A desaceleração econômica tem levado a um aumento do desemprego, impactando diretamente no consumo de combustível, com o ciclo OTTO (gasolina mais etanol) registrando piora em meados de 2015, seguindo a tendência de queda dos salários reais e do aumento do desemprego", afirmam. Enquanto isso, a desaceleração no consumo de diesel ocorreu mais cedo, no final de 2014, em estreita correlação com a queda do PIB. 

Mas será que a melhora econômica pode impulsionar as operações da Ipiranga? Sim, mas pode demorar um pouco, ressaltam os analistas, apontando que o consumo de gasolina e etanol pode levar mais tempo para se recuperar devido a um efeito tardio de melhora destes indicadores em relação à economia como um todo.

Porém, mesmo que o Ipiranga seja a maior parte do negócio da Ultrapar, a companhia possui diversos outros negócios que ajudam a sustentar seus números. Como destacam os analistas do Bank of America Merrill Lynch, a Oxiteno, Ultragaz, Extrafarma e Ultracargo conseguem equilibrar o portfólio da empresa e ajudam e alavancar seu balanço, seja em tempos de crise, com um negócio resiliente, ou se aproveitando de um cenário de maior crescimento econômico.

Seja buscando um investimento defensivo ou não, procura uma boa ação para investir? É só perguntar no posto Ipiranga.

perfil do autor

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Thiago Salomão

Editor-chefe do InfoMoney, analista CNPI-P (Fundamentalista e Técnico), criador e analista responsável pela Carteira Recomendada InfoMoney e professor do curso "Como Montar uma Carteira de Ações Vencedora". Formado em Administração de Empresas pelo Mackenzie, com MBA em Mercados Financeiros pela Fipecafi e pela UBS/BM&FBovespa.

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