Por Lara Rizério Em banrisul  27 jan, 2017 11h24

Banrisul privado vale facilmente o dobro do estatal, diz BTG: "ação tem muito espaço para subir"

Porém, a privatização tem alguns empecilhos: ele não é um processo direto porque exigiria um plebiscito no Estado

Por Lara Rizério Em banrisul  27 jan, 2017 11h24

SÃO PAULO - A notícia do Valor Econômico de que o governo federal estaria "pressionando" o Rio Grande do Sul para privatizar o Banrisul (BRSR6) impulsionou as ações do banco estatal na véspera com ganhos superiores a 14% na véspera. 

E o rali parece estar longe do fim, conforme aponta o BTG Pactual, que ainda vê muito espaço para o papel andar.  A percepção foi confirmada após o ministro da Fazenda Henrique Meirelles confirmar na véspera que a eventual privatização do Banrisul faz parte das discussões com o governo gaúcho, mas ainda está sob análise. Com isso, as ações têm um novo dia de ganhos nesta sexta, com alta de 6,25%, a R$ 15,80, de acordo com cotação das 10h52 (horário de Brasília). 

Conforme aponta o BTG Pactual, esse movimento de alta tem um motivo simples: o Banrisul poderia valer o dobro numa privatização, dado os múltiplos das aquisições recentes de HSBC e Citi e a franquia forte do banco no Sul.  "Não é um processo simples, mas se isso acontecer, o valor do banco poderia facilmente dobrar", avalia o BTG. 

"Acreditamos que o valor de um Banrisul privatizado seria de pelo menos 2 vezes do valor atual - especialmente se considerarmos que o HSBC e o Citi foram vendidos a 1,5 vezes o múltiplo de preço sobre o book value (patrimônio líquido), versus o múltiplo atual de 0,9 vezes do Banrisul", apontam.

O Banrisul, destaca o BTG, tem um mercado de varejo mais forte do que esses bancos - é o maior banco do Rio Grande do Sul, com 28% de participação em depósitos e agências. Além disso, possui também uma forte base de capital, com um índice de Basileia de 17,1% no terceiro trimestre e possui uma importante marca de cartões (Banricompras). Em junho de 2016, o Banrisul assinou um contrato exclusivo para administrar a folha de pagamento do estado do Rio Grande do Sul por 10 anos. Segundo o BTG, nas mãos do Itaú Unibanco (ITUB4) e do Bradesco (BBDC4), poderia atingir um ROE (Retorno sobre o Patrimônio) de cerca de 20%.

Contudo, vale destacar que, em conferência na véspera, o presidente do Santander (SANB11) Sergio Rial afirmou que analisará o Banrisul caso ele seja mesmo colocado à venda. 

Porém, a privatização tem alguns empecilhos: ele não é um processo direto porque exigiria um plebiscito no Estado. Contudo, a situação fiscal é tão dramática que poderia acabar sendo uma solução - a Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul está discutindo uma mudança que permitiria ao governo privatizar ou assumir empresas sem realizar um plebiscito, facilitando o processo. "Mas o processo ainda não é simples. Para incluir o Banrisul no processo, duas sessões legislativas seriam necessárias, com dois terços da assembléia estadual votando a favor de uma mudança", ressalta o BTG. 

Banrisul
(Divulgação)

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