SÃO PAULO - A implementação das regras de Basileia III, que começará a valer em janeiro de 2013, deve ser marginalmente positiva para os bancos brasileiros, segundo o Deutsche Bank e o Itaú BBA. De acordo com o Banco Central, as instituições financeiras do País estão em uma posição mais confortável em relação aos seus pares do mercado internacional.
Desse modo, a taxa mínima para que o valor de capital ordinário do nível 1, ou CET1, será 4,5% maior no País, em comparação com as insituições financeiras internacionais. Já em 2019, os bancos brasileiros devem apresentar uma taxa CET1 de 9,5%, ante o índice anterior de 7%.
Para os analistas do Itaú BBA, Regina Sanchez, Thiago Batista e Alexandre Spada, os benefícios dos ativos dos planos de pensão, que tem que ser excluídos das taxas do CET1, consistem em uma notícia positiva para o Banco do Brasil (BBAS3), já que a maioria dos investidores já excluíram a valorização das taxas de CET1. Isso deve resultar em um aumento do capital ordinário do nível 1 em 100 pontos-base.
Santander e Itaú em melhor posição
Para a equipe do Itaú BBA, o nível de capital ordinário do Santander Brasil (SANB11) e do Bradesco (BBDC4) estão em níveis confortáveis, apesar do Santander não ser capaz de sustentar uma taxa de pagamento de dividendos mais alto a longo prazo. Já o Banco do Brasil provavelmente precisará de mais capital, especialmente se o BC adotar uma política contra-cíclica.
De acordo com os analistas do Deutsche Bank, Mario Pierry, Tito Labarta e Marcelo Cintra, os quatro grandes bancos do País devem se adequar às exigências da Basileia III para a geração de capital. Porém, o Santander e o Itaú Unibanco (ITUB4) estão em uma melhor posição que o Bradesco e o Banco do Brasil.
Recomendações
Para Pierry, Labarta e Cintra, no entanto, teria sido mais positivo se o relatório do Banco Central com as novas exigências tivesse sido mais claro com relação às diferenças relacionadas ao crédito tributário. De acordo com os analistas, a preferência segue com o Banco do Brasil, seguido por Itaú Unibanco e Bradesco. O Deutsche Bank segue com recomendação de compra para os ativos dos três bancos, enquanto mantém sugestão neutra para os papéis do Santander.
Os analistas do Itaú BBA, por sua vez, seguem com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para o Bradesco e Banco do Brasil, com preço justo de R$ 43,30 e R$ 42,20 para os papéis, configurando um potencial de valorização de 40,54% e 51,58%, respectivamente, em relação ao fechamento de sexta-feira (17). Com relação ao Santander, a recomendação é market perform (desempenho em linha com o mercado), com potencial de valorização de 14,30% frente ao mesmo fechamento.