SÃO PAULO - A derrota no leilão de aeroportos foi positiva para a CCR (CCRO3) e OHL Brasil (OHLB3), destacou o HSBC. As empresas demonstraram não ter intenção de ganhar as concessões a qualquer custo, o que as poderia ter levado a investimentos irracionais e pouco atrativos.
Assim, o banco inglês eleva o preço-alvo para as ações da CCR de R$ 14,00 para R$ 14,50, um potencial teórico de valorização de 9,27%, frente ao fechamento de terça-feira (8) - embora tenha reduzido sua recomendação de overweight (peso em carteira acima da média do mercado), para neutral. Já a OHL teve preço-alvo elevado de R$ 65,00 para R$ 68,00, um potencial teórico de apenas 0,09% na mesma base de comparação. A companhia também tem recomendação neutra.
Mensagens mistas do leilão
De acordo com o analista Luciano Campos, as duas empresas demonstraram uma alocação de capital responsável, embora a OHL tenha se mostrado muito agressiva e perdeu a oportunidade de enviar uma mensagem muito clara de disciplina de investimento.
Para o analista, as ofertas vencedoras podem refletir um excesso de otimismo - e que não valia a pena ganhar essas concessões a qualquer preço. Se de um lado foi bom não ter ganho, Campos acredita que os leilões passam uma outra mensagem, negativa. "Essas privatizações são evidências adicionais de que novos projetos são imprevisíveis e parece ser bastante improvável que se concretizem com retornos razoáveis", destaca o analista.
Nesse sentido, sobram apenas duas opções ao investidor, de acordo com Campos. Ou ele deve optar por não participar do setor, ou ele selecione ações com base apenas nos projetos que já existem - deixando novos projetos como bônus quando forem divulgados. As empresas podem fugir dessa situação buscando oportunidades no mercado secundário, ou através de fusões e aquisições - embora estas sejam imprevisíveis em termos de tempo e dados econômicos.