SÃO PAULO – O BTG Pactual avalia que o governo brasileiro foi o principal ganhador nos leilões de três dos principais aeroportos do país, em Guarulhos, Campinas e Brasília, realizado na última terça-feira (7), por conta dos valores desembolsados por essas concessões.
O prêmio pago pelo aeroporto de Viracopos, em Campinas, foi 160% superior à oferta mínima, chegando à cifra de R$ 3,8 bilhões. Já para o aeroporto internacional de Guarulhos o montante pago de R$ 16,2 bilhões foi 374% maior que o preço inicial do leilão, enquanto para o de Brasília essa diferença chegou a 673%, aos R$ 4,5 bilhões.
Perdedores saem ganhando
A CCR (CCRO3) saiu do leilão de mãos vazias, fato que na visão dos analistas Rodrigo Góes, Renato Mimica e Felipe Neissli não é necessariamente ruim, uma vez que a companhia respeitou seus custos de capital durante o processo. Desta forma, os analistas classificam o comportamento da empresa como "sensato". Enquanto isso, Ecorodovias (ECOR3) e OHL (OHLB3), apesar de suas ofertas competitivas, acabaram superadas no leilão.
A Triunfo (TPIS3), por sua vez, foi a única companhia listada na bolsa do setor a ter sucesso no leilão, ao adquirir os direitos de concessão do aeroporto de Viracopos. Sendo assim, o desempenho das ações dessas companhias no pregão anterior deixou claro a preocupação dos investidores frente às propostas agressivas nas negociações, com o avanço dos papéis das “perdedoras” do leilão (ECOR3, +6,0%; OHLB3, +5,5% e CCRO3, +2,5%), e a queda de 3,5% do ativo TPIS3.
CCR é a top pick
Neste cenário, a CCR continua como top pick do setor de transporte na América Latina para a equipe de análise do BTG e analisa positivamente a postura da CCR, que se mantém fiel à sua taxa de retorno mínima. “Além disso, o preço das ações continua a oferecer um desconto respeitável sobre o valor líquido dos ativos de seu portfólio. Assim, reiteramos nossa recomendação de compra dos papéis da companhia”, afirmam Góes, Mimica e Neissli.