SÃO PAULO - Em seu relatório de previsões para os resultados das principais empresas da América Latina para 2011, o Citigroup reitera o Brasil como seu mercado preferido durante este ano. Para México e Colômbia, no entanto, o relatório recomenda a alocação com peso menor de ativos, ou underweight.
Durante o quarto trimestre, a estimativa é que as quase 135 companhias latino-americanas cobertas pelo banco tenham alcançado, em conjunto, uma contração de 8% do lucro líquido por ação, na comparação com 2010. As maiores perdas no quarto trimestre, prevê o analista Jason Press, seriam apresentadas pelas empresas de telecomunicações e produtoras de commodities em geral - 49% e 22% de queda na comparação com o mesmo período de 2010, respectivamente.
Considerando o acumulado dos 12 meses, no entanto, houve uma expansão de 12% nos ganhos das companhias brasileiras. Essas empresas, juntas, somaram US$ 100,207 bilhões em resultado final. O pico dessa performance, de acordo com o Citi, foi durante o primeiro trimestre, mas a instituição considera a desaceleração saudável.
Brasil, o preferido
Na América Latina, o Brasil tem o maior número de papéis seguidos pelo banco. Em termos de receita, o País deve apresentar alta de 21% em 2011, para US$ 709,61 bilhões, na comparação com o ano anterior. Já o Ebitda avançou 16% e registrou US$ 155,58 bilhões no total, na mesma base de referência.
Neste ano, quando a projeção continua sendo de crescimento, o desafio estará com o setor de telecomunicações e de matérias-primas na América Latina. O setor em que o relatório mostra maior otimismo de bons resultados é o petrolífero, no qual os ganhos devem avançar 32%, para US$ 31,829 bilhões.
O Citi crê que o lucro como um todo possa crescer até 5% na América Latina em 2012, mas o Brasil aparece como o mercado mais atrativo para investimentos, por causa de seus múltiplos mais descontados. Enquanto no Chile as empresas estão alcançando seu preço justo, a bolsa brasileira é vista como barata pelo banco.
Piores setores
Entre as vendedoras de commodities e relacionadas, apenas a CSN (CSNA3) deve ter apresentado expansão tanto no balanço final do do trimestre e do ano. As altas calculadas por Press são de 26% e 97%, respectivamente. Além da siderúrgica, somente a Vale (VALE3, VALE5) deve mostrar avanço em seu lucro durante 2011, de 28%, considerando que no setor o Citi também acompanha os papéis da Usiminas (USIM5) e Gerdau (GGBR4).
Entre as teles, apenas a Telefônica Brasil (VIVT4) registraria aumento de ganhos em 2011, em 16%. Mas o Citi considera a Totvs (TOTS3) uma companhia do tipo, apesar de ela trabalhar com tecnologia da informação. E, assim, ela também divulgaria um lucro maior em 2011, em 20%. Vale lembrar que no setor de telecomunicações, a corretora ainda cobre as ações da TIM (TIMP3), Telemar (TMAR5) e Tele Norte Leste (TNLP3, TNLP4).