SÃO PAULO - Seguindo o mesmo recálculo de outras corretoras e incorporando os resultados do terceiro trimestre do ano passado, a Bradesco Corretora decidiu rebaixar a avaliação das ações de Tractebel (TBLE3) e AES Tietê (GETI4), e elevar a da Cesp (CESP6).
Segundo a corretora, as empresas do setor elétrico já subiram bem mais do que o Ibovespa durante os últimos 12 meses, especialmente porque 2011 foi um período turbulento e suas características de investimento são mais defensivas. Por isso, os potenciais de valorização já se reduziram, com os papéis já estando próximos de sua possibilidade de alta.
Ainda assim, o relatório, assinado por Vladimir Pinto e Marcelo Sá, mostra que o bom pagamento de dividendos a seus acionistas e a previsibilidade de entrega de receitas continuam sendo pontos positivos para quem tem posição nessas empresas. O problema reside na atual estabilidade dos preços de energia - a projeção se manteve em R$ 120 por MWh (megawatt/hora) -, causada pela grande oferta e demanda mais branda. Isso deve beneficiar as geradoras, dizem os analistas.
Única recomendação elevada
A única elétrica que teve sua avaliação elevada foi a Cesp. Mesmo assim, a visão atual da Bradesco Corretora é de que seu desempenho deve ser em linha com o mercado neste ano, ou market perform. A decisão foi tomada ao se considerar a grande possibilidade de que o impasse da renovação das concessões está para acabar, o que beneficiaria suas ações e aumentaria seu upside.
O motivo de a melhor recomendação ainda ter sido conservadora é que os dois analistas esperam que os contratos sejam revistos sem um reajuste de preços muito intenso, mitigando as possibilidades maiores de faturamento da companhia. Ela é a mais exposta a essa parcela de acordos que vence em 2015, com 67% de seus clientes.
Ainda há um grande risco para se investir em CESP6. Segundo a corretora, o alto endividamento em moeda estrangeira tem a possibilidade de afetar o resultado financeiro da elétrica, caso o real entre em um novo ciclo de forte depreciação frente ao dólar. Mas os analistas afirmam que sua alavancagem já vem sendo reduzida em um ritmo acelerado.
Avaliação cortada
Entre as companhias rebaixadas, o banco cortou a recomendação dos ativos GETI4 para underperform, ou desempenho abaixo da média do mercado. Um dos principais motivos é a renegociação de 1.268 megawatts relativos ao exercício de 2015, quando o contrato com a Eletropaulo (ELPL4) vencerá.
O problema é que, se a projeção da Bradesco Corretora é de preço de energia próximo a R$ 120, os valores atuais ao qual a empresa está vendendo, de R$ 173,68, serão bem reduzidos, trazendo uma queda em suas receitas. Além disso, o estado de São Paulo pode punir a AES Tietê por não ter cumprido o acordo de expandir a capacidade em 15%.
Já a outra reduzida pelos analistas foi a Tractebel, que agora tem avaliação de performance em linha com o mercado. O relatório cita a falta de elementos para impulsionar a valorização de suas ações no curto prazo e o fato de seus múltiplos já terem atingido níveis altos com a forte alta recente como motivos para o corte.
Além disso, a Bradesco Corretora acredita que os atrasos na contrução da usina de Jirau devem fazer com que a transferência de controle da Suez para a companhia só seja realizada em 2013, trazendo de fato um catalisador importante para os papéis. A equipe de análise da corretora, no entanto, vê como positiva a baixa exposição da elétrica aos preços de energia, o que ainda dá força ao investimento.