SÃO PAULO - Como investidor, você deve receber uma série de relatórios e recomendações de casas de research. Entre eles, está um documento que informa o início de cobertura de determinada ação. Em geral, esse relatório indica o preço-alvo e a sugestão para o papel, além de trazer detalhes sobre a companhia e explicações sobre o valuation.
Até aí nenhuma novidade, certo? Mas você já se perguntou quais são os critérios das corretas para começar a acompanhar uma empresa? Para responder a isso, o InfoMoney conversou com profissionais que atuam em equipes de análise. Confira!
Para o analista da XP Investimentos, Gustavo Pires, essa avaliação é "extremamente" subjetiva, o que quer dizer que a iniciativa de começar a cobrir uma empresa depende do potencial que cada analista enxerga nos papéis.
O estrategista chefe da SLW, Pedro Galdi, concorda e resume: "na verdade, o analista procura acompanhar as empresas que podem dar os melhores retornos para os clientes da corretora".
Liquidez
Ainda assim, o analista-chefe da Coinvalores, Marco Aurélio Barbosa, nota que um dos fatores considerados para o início de cobertura é a liquidez da ação. "Não pode ser um papel absolutamente largado", afirma o profissional, fazendo referência aos micos - ações de terceira linha, muitas vezes altamente endividadas e pouco procuradas pelos investidores.
Esse critério também é utilizado pela Gradual, conforme explica o analista-chefe da corretora, Paulo Esteves. "Pelos nossos padrões, é preciso uma negociação média diária de pelo menos R$ 500 mil, porque senão fica difícil recomendar, uma vez que o investidor pode ter dificuldade em comprar ou vender a ação", diz.
No caso da Coinvalores, os papéis precisam ter de 10 a 15 negócios diários para merecer acompanhamento. Atualmente, a corretora acompanha 198 empresas, das quais 83 possuem projeções. Na Gradual, os analistas acompanham 150 empresas e, desse grupo, 40 são seguidas de forma mais aprofundada, com modelagem e previsões.
Menos tradicionais
Além de ações tradicionais que, em geral, são as mais líquidas e, dessa forma, são fortes candidatas a acompanhamento, Galdi afirma que papéis com liquidez menos acentuada ou que ainda não tem histórico para entrar no Ibovespa, como é o caso dos IPOs (Initial Public Offering), também são opções para o investidor e podem chamar a atenção do analista.
"O analista precisa dar suporte para o que já é tradicional, porque sempre tem o investidor que quer Vale (VALE3, VALE5) e Petrobras (PETR3, PETR4), mas também tem aquele que aceita se posicionar em algo novo, mas que tenha potencial de dar retorno e, no futuro, pode ter uma participação no Ibovespa ou outro índice de bolsa", destaca.
Governança corporativa
Por fim, os analistas citam a estrutura de atendimento aos investidores e analistas. Paulo Esteves ressalta que boas práticas de transparência, de comunicação com investidor e analista, bem como uma área ou pelo menos um responsável para atender o mercado são ferramentas essenciais para acompanhamento de uma corretora.
"O suporte do profissional de Relações com Investidores é fundamental. Se o analista não consegue ter informação, é impossível ter uma projeção confiável e orientar os clientes da corretora", acrescenta Pedro Galdi.
RI pró-ativo
Nesse sentido, os analistas destacam a proatividade por parte dos profissionais de RI, principalmente, de small caps em apresentar a companhia às corretoras. Para Gustavo Pires, esse movimento é necessário para esse tipo de companhia. "O RI precisa aumentar a exposição e a liquidez da companhia e fazer com que o papel seja o mais bem precificado possível", explica.
Paulo Esteves acredita que, no caso das blue chips já existe uma cobertura consolidada, a qual atingiu um padrão de maturidade; enquanto, em empresas menores ou que abriram capital recentemente, existe uma base de cobertura a ser construída. "Isso exige um dinamismo por conta do RI ele tem que efetivamente recorrer às corretoras e aos bancos de investimento, apresentando a empresa e tentando ao máximo motivar um início de cobertura", opina.